Língua PortuguesaConcordância verbal e nominalCom. Exam. (MPE GO) 2013
MPE GO
Questão de Língua Portuguesa
O Sexo do Diploma As mulheres agora sairão da escola com o grau ou profissão correspondente ao sexo registrado no diploma: doutora, engenheira, mestra, bacharela... (Adriana Natali. Ver. Língua Portuguesa. a. 7, n. 80, jun./2012, p. 30-33 – adaptado) As mulheres são maioria no ensino superior brasileiro. Segundo o Censo da Educação Superior, do MEC, mais da metade (57%) dos quase 6,4 milhões de universitários do país é formada pelo público feminino. A força da mulher nessa área deve ganhar visibilidade com a lei, sancionada em 3 de abril, que determina o uso, em diplomas, da flexão de gênero para nomear profissão ou grau. A presidenta Dilma Rousseff transformou na lei 12.605 o projeto 6.383, de 2009. Segundo a lei, as instituições de ensino públicas e privadas devem expedir diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido. Mal nasceu, a lei causa alvoroço. Alguns especialistas consideraram a iniciativa um erro, por confundir o título com o tratamento à pessoa. Em parte porque usar o gênero masculino para denominar a profissão ou o grau obtido por mulheres é considerado uma tradição do idioma. A discussão talvez se deva ao fato de o título acadêmico flutuar no discutível domínio do gênero neutro, representado em português pela forma masculina. Na justificativa para o projeto de lei, entretanto, a prática revelaria antes a resistência de um preconceito. A iniciativa visaria, assim, a dar um passinho em direção à igualdade de gêneros. Outros já foram dados. O Palácio do Planalto e suas agências de notícias, por exemplo, adotaram o feminino "presidenta" nas referências a Dilma. Escritores e pesquisadores de vários lugares do mundo têm adotado a mesma prática como política de valorização feminina. Autoestima Para Antonio Carlos Xavier, professor de português e linguística da UFPE, a curto prazo a lei pode passar despercebida devido ao recente acesso que a brasileira tem ao ensino superior. A médio e longo prazos, no entanto, a lei pode representar um indicador de autoestima para as profissionais brasileiras. -- A lei instaura um princípio da flexibilidade. Juntamente com a tolerância, a flexibilidade é ingrediente essencial à sobrevivência pacífica entre homens e mulheres de diferentes classes sociais, ideologias, etnias e religiões sobre um mesmo espaço. As grandes mudanças começam com pequenas atitudes. Estas passam pela língua sem a qual aquelas jamais aconteceriam - avalia Xavier. Professora de português da Universidade de São Paulo, Zilda Aquino, concorda com a sanção da lei. -- Numa sociedade machista como a nossa, usase só o nome masculino mesmo ao referir o feminino. É apagamento da mulher, sim. Neste século 21, as mulheres já conseguem dirigir empresas como a Petrobras e comandar o país. A lei promove e protege a mulher - afirma. Histórico Márcia Molina, doutora em linguística e semiótica pela USP, diz que discussões sobre o gênero de certas palavras remontam, no Brasil, ao final do século 19, início do 20, quando ainda não havia expressões para designar funções até então nunca exercidas por mulheres. O uso do feminino para "presidente" foi alvo de discussões já naquela ocasião, porque a regra geral de flexão nominal informa que os substantivos terminados em “o” fazem o feminino em “a”. Em alguns casos, isso ocorre nos terminados em “e”, como “elefante/elefanta”. -- “Presidente” é palavra de formação latina, que oculta em sua origem uma designação verbal. "Presidente", o que preside. "Residente", o que reside. Mas essa origem se perdeu. Assim, o que temos na memória hoje são os substantivos terminados em “e”. Como em "elefante", nada obstaria usarmos "residenta", embora soe estranho para muitos - avalia a professora. Como disse a presidente da ABL, Ana Maria Machado, “é uma perda de tempo e esforço. O país tem outras prioridades”. Analistas como Ana Maria parecem acreditar que a lei se refere também a substantivos de gênero único, se houver algum na área acadêmica. Mas ninguém receberá diploma com título de "apóstola", "carrasca", "estudanta" e coisas assim, embora haja o feminino de "bacharel", o esdrúxulo e pouco usado "bacharela". Para tal perspectiva, se "presidenta" tem sustentação na tradição do idioma, presidentes "criativos" poderiam muito bem reivindicar o título de "presidento". Exagero Manoel Mourivaldo, da USP, considera esse tipo de objeção apenas um exagero. -- A lei vale para as palavras biformes, como "doutor(a)", "mestre(a)", "médico(a)", "administrador(a)", "psicólogo(a)", que têm o mesmo radical ou base, com uma forma para o masculino e outra, com a flexão, para o feminino. Não vale, no entanto, para as palavras uniformes ou comuns de dois gêneros, como "dentista" e "motorista". Nesses casos, a distinção do gênero fica por conta do artigo ou adjetivo: o/a dentista, bom/boa gerente - explica o professor. Lílian Ghiuro Passarelli, do departamento de português da PUC-SP, reitera que a lei é restrita a diplomas. -- Ninguém vai inventar palavra nova para seguir a lei. Muda apenas, na escrita dos diplomas, o registro da profissão, isso se a língua prevê a forma feminina. Outra obviedade, mas que vale a pena ser dita: quem manda na língua é o povo. De todo modo, que mal há em que uma mulher receba o título oficial, registrado no diploma, de "doutora" em vez de "doutor"? Ou de "mestra" em vez de "mestre"?
Analise as afirmativas a seguir em verdadeiras ou falsas. I - As palavras “gênero”, “acadêmico” e “semiótica” são todas proparoxítonas. II - “A discussão talvez se deva ao fato de o título acadêmico flutuar no discutível domínio do gênero neutro...” poderia ser redigida como “A discussão talvez se deva ao fato do título acadêmico flutuar no discutível domínio do gênero neutro” sem transgredir a ortografia oficial. III - No período “Em parte porque usar o gênero masculino para denominar a profissão ou o grau obtido por mulheres é considerado uma tradição do idioma”, a forma verbal “considerado” tem como sujeito o substantivo “masculino”. IV - Em “As grandes mudanças começam com pequenas atitudes” há dois adjetivos. V - O período “Analistas como Ana Maria parecem acreditar que a lei se refere também a substantivos de gênero único” indica uma dúvida do autor em relação à opinião dos analistas. São verdadeiras:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

