Questões de Língua Portuguesa · Vunesp

Língua PortuguesaHiperonímia, hiponímia e campo semânticoVunesp 2025

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Questão de Língua Portuguesa

Pensemos agora em Capitu, de Machado de Assis. Ela costuma ser lembrada por estar associada à infidelidade. De minha parte, não creio que repouse nisso o charme daquela jovem dama com “olhos de ressaca”. Em hipótese nenhuma eu a escalaria para o mesmo time de Madame Bovary, de Flaubert, Anna Kariênina, de Tolstói, ou Luísa, de O primo B asílio, de Eça de Queiroz. Capitu, mais do que a probabilidade do adultério incerto, representa a incerteza. O tema de Machado em Dom Casmurro é menos a traição conjugal e mais a impossibilidade de saber, o tempo todo. Daí que seu tema é também a modernidade. Dom Casmurro vem ao leitor como advertência permanente: é preciso conviver com ela, Capitu, do mesmo modo que é preciso conviver com o que não é certo e sabido, nem será. O que o Princípio da Incerteza, de Heisenberg, avisou na Física Quântica, Machado já avisava na literatura fazia tempo. [...] O amor cortês do século XII, aquele que idealizava a mulher amada, teve desdobramentos poéticos na forma narrativa dos contos de fada e, em boa medida, no amor romântico, que viria mais tarde. O que me interessa destacar é a fantasia do “final feliz”, que tem forte apelo especialmente nos namoros de príncipes e moças de nobreza incerta. Em que consistia o arremate “E foram felizes para sempre”? Eu diria, modestamente, que consistia na morte: na morte da incerteza. Aquele “final feliz” matava a imprevisibilidade, qualquer que ela fosse, e dava curso a uma utopia, em que é preciso encerrar a história para que o amor possa, enfim, principiar. Sim, nesse modelo de ficção, o amor só se faz depois do final. O “felizes para sempre” tem o sabor de um epitáfio. O moderno, que duvida da felicidade e do “para sempre”, vai se levantar contra esse tipo de final tolo para amar o incerto e o indefinido, ainda que não o confesse. (Incerteza, um ensaio, 2023. Adaptado.)

“Aquele ‘final feliz’ matava a imprevisibilidade, qualquer que ela fosse, e dava curso a uma utopia, em que é preciso encerrar a história para que o amor possa, enfim, principiar. Sim, nesse modelo de ficção, o amor só se faz depois do final. O ‘felizes para sempre’ tem o sabor de um epitáfio. O moderno, que duvida da felicidade e do ‘para sempre’, vai se levantar contra esse tipo de final tolo para amar o incerto e o indefinido, ainda que não o confesse.” (4o parágrafo) O termo “epitáfio” aproxima-se semanticamente do seguinte verbo sublinhado no parágrafo:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.