Língua PortuguesaInterpretação de textosINSTITUTO MAIS 2023
Pref RG da Serra
Questão de Língua Portuguesa
EDITAL N.º 02.2023 209 – TÉCNICO EM INFORMÁTICA o RESPONDA A TODAS AS QUESTÕES. o A DURAÇÃO DA PROVA É DE 3 HORAS E 30 MINUTOS. o A SAÍDA DO CANDIDATO DO PRÉDIO SERÁ PERMITIDA APÓS TRANSCORRIDO O TEMPO MÍNIMO ESTABELECIDO NO Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 8. Slime na airfryer Tem umas horas da paternidade em que não adianta recorrer a uma pediatra ou a um psicopedagogo, é inútil ler "Crianças francesas não fazem manha" ou toda a bibliografia da clínica Tavistock: você precisa é de um bom advogado. Calma. Meu intuito não é buscar indenização da filha que, inclinada à ciência, resolveu testar o método empírico cozinhando meio quilo de slime na airfryer. Eis o caso. Meu filho de oito pega o iPad. Minha filha de dez surge na sala e diz "eu também quero o iPad!". Meu filho argumenta que ela usou o iPad a noite passada inteira. Hoje é a vez dele. Parece sensato. A promotoria, no entanto, apresenta seu caso de forma mais específica: "eu usei a noite inteira porque ele não me pediu pra usar. Se ele tivesse pedido, eu teria proposto meia hora cada um". Segundo o argumento, que me parece lógico, como hoje ela está pedindo, ele deve aceitar meia hora cada um. A abstração que ela me propõe é bem complexa. Me diz: ele tinha o direito de usar o iPad ontem e não usufruiu. Eu tenho o direito de usar o iPad hoje e quero usufruir. Meu filho argumenta que não sabia que, se quisesse usar o iPad a cada meia hora, ontem, ele tinha o direito. Ela rebate: não sabia porque não pediu pra usar. Sem dúvida, são questões que “extrapolam” o Código Civil e o Penal, adentrando a complexa seara da filosofia do direito. Sentindo-me um ignorante completo, penso em me sair com uma atitude bem anos 80: “ninguém vai usar o iPad nem ver TV! Chega! Acabou! Vão brincar de massinha! E longe da airfryer!” Percebo, no entanto, que essa truculência é totalmente fora de propósito, de razão e de época. Nada mais errado na educação do que regras sem sentido. Preciso ganhar tempo. Escapulo pro banheiro. Tranco a porta. Ligo pro meu amigo Beto, advogado. Beto é das pessoas mais brilhantes que eu conheço. Já lidou com assassinos, corruptos, falências, fusões, aquisições e – pior – divórcios. Sussurro no telefone: “Beto, tá podendo falar?”. “Manda!”. Explico a situação. Ele reflete por um momento. “Do ponto de vista legal, se ela teve o iPad por uma noite, ele deve ter o iPad por uma noite. Só a partir de amanhã é que se deve começar o rodízio de meia hora cada um”. Saio do banheiro seguro e dou o veredito. Os dois aceitam. Sinto-me um pai bom, justo, contemporâneo. Minha filha se senta na poltrona, diante da TV. Meu filho encrenca: “eu quero sentar na poltrona!”. Minha filha retruca: “ele ficou a noite passada inteira na poltrona!”. Confisco o iPad, desligo a TV. Mando-os brincar de massinha. E quem não estiver contente que ligue pro Beto e me processe. (Antonio Prata. Adaptado).
De acordo com a leitura do texto, assinale a alternativa correta.
Mais questões de Interpretação de textos
- CMRJ 2027Os textos I e II tratam os smartphones como os itens da contemporaneidade que têm levado as pessoas em geral a lidar (ou a não saberem lidar) com o hábito cotidiano. Que fragmento…
- CMRJ 2027Em entrevista ao jornal O Globo (04/09/2017), o brasileiro Gil Giardelli, um Web Ativista, membro do XMedia da Universidade de Stanford, disse: “há uma pesquisa global sobre varej…
- CMRJ 2027Coutinho traz uma reflexão crítica sobre o uso dos smartphones. Em sua visão, de todas as informações abaixo uma não está em consonância com o que ele afirma. Marque-a.
- Vunesp 2026“Fui ter com ela; expus-lhe a crise e fiz-lhe a proposta. Marcela ouviu-me com os olhos no ar, sem responder logo; como insistisse, disse-me que ficava, que não podia ir para a Eu…
- Fronte Concursos e Projetos 2026Ao abordar a consolidação da memória, o texto estabelece uma relação de dependência entre o intelecto e a emoção, sugerindo que:
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
