Questões de Língua Portuguesa · Marinha

Língua PortuguesaAntítese, paradoxo e oxímoroMarinha 2015

Marinha

Questão de Língua Portuguesa

Muita gente já observou e comentou a respeito do clima tenso e até violento dos comentários na internet. Um xinga de cá, outro devolve num tom acima de lá. Um texto opinativo suscita desafetos e serve de motivo para ataques a quem o escreveu. Uma posição política não partidária dificilmente passa ilesa, e assim por diante. Acontece que esse clima duro, agressivo e hostil que encontramos na rede tem se manifestado também nos relacionamentos interpessoais na realidade. Em muitas empresas, funcionários reclamam da maneira áspera com que são tratados por colegas e chefes, e também dos gritos que ouvem quando cometem alguma falha ou deslize. Nunca se soube de tantos gritos, palavrões e choros em ambientes organizacionais. Nos relacionamentos espaços públicos entre impessoais - os que ocorrem nos pessoas que não se conhecem - acontece a mesma coisa. O trânsito, talvez, seja o exemplo mais didático sobre tal clima. Até parece que motoristas e pedestres são inimigos entre si e uns dos outros e, em estado de guerra, andam sempre armados e prontos para rebater o que consideram desaforo. Uma única barbeiragem ou indecisão é suficiente para provocar uma saraivada de impropérios. Os relacionamentos pessoais e afetivos também têm sofrido dessa dureza na convivência: amigos se destratam por motivos banais e demoram casais, quando enfrentam para perdoar uns aos outros; conflitos e desavenças, perdem o controle de seus impulsos e usam tom e palavras que provocam intenso sofrimento a ambos. E nas famílias - claro!- isso se repete. Muitas mães e pais que vivem declarando amor incondicional aos filhos, quando precisam usar a firmeza para dar uma bronca, chamar a atenção ou mesmo cobrar algo deles, perdem a delicadeza e se tornam demasiadamente ásperos. Entre as crianças percebemos com clareza o resultado dessas lições que elas têm aprendido com os adultos: à medida que crescem, cresce também a hostilidade que manifestam a seus pares na convivência. Tem faltado doçura nos relacionamentos interpessoais e no trato com as crianças. A doçura é uma virtude. Ela, portanto, pode - e deve - ser ensinada. Não é grande, porém, o número de pais que se ocupam com os ensinamentos de virtudes a seus filhos. Muitas, hoje, são confundidas com fraqueza e, por esse motivo, muitos pais hesitam em ensiná-las aos filhos. A própria doçura é uma delas! Já ouvi um pai reclamar com o filho de pouco mais de nove anos por ele não ter respondido em tom agressivo a uma provocação de um colega, dizendo: "Você tem sangue de barata!". É possível ensinar o que for preciso aos filhos com doçura. Mesmo que haja situações estressantes - quando os filhos desobedecem, transgridem, agridem, desrespeitam, fazem manha, birra e tudo o mais que eles sabem muito bem fazer é possível ter e manter a calma, o que possibilita que o que for preciso ser dito seja feito com suavidade e doçura. Mesmo os pais que se identificam como "muito chatos" com os filhos ou bem rigorosos na educação que praticam podem manifestar ternura em seus atos. As reclamações sobre os estilos dos relacionamentos nesse mundo são tantas, que muitos pais tentam proteger seus filhos, colocando-os em entanto, se arrebentam verdadeiras "redomas" que, no quando os filhos chegam à adolescência. Talvez seja mais efetivo se esforçarem, com o uso e o ensinamento das virtudes hoje, da doçura em especial- para que essa realidade mude. (SAYÃO, Rosely. A doçura como virtude. Em http://wwwl.fo1ha. uol.com.br - 17 fev. 2015. Com adaptações)

O texto faz uma análise de comportamentos agressivos, hostis na sociedade e propõe o resgate da doçura, da ternura. Que figura de linguagem expressa essa oposição de ideias?

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.