Questões de Língua Portuguesa · CONSULTEC (AIETEC)

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Questão de Língua Portuguesa

O bebê de tarlatana rosa Eram três horas da manhã. O movimento das ruas abrandara. Os outros bailes já tinham acabado. As praças, horas antes incendiadas pelos projetores elétricos e pelos cambiantes enfumadas dos fogos de bengala, caíam em sombras cúmplices da madrugada urbana. E só, indicando a folia, a excitação da cidade, um ou outro carro arreado levando máscaras aos beijos ou alguma fantasia tilintando guizos pelas calçadas fofas de confete. Oh! A impressão enervante dessas figuras irreais na semissombra das horas mortas, roçando as calçadas, tilintando aqui, ali, um som perdido de guizo! Parece qualquer coisa de impalpável, de vago, de enorme, emergindo da treva aos pedaços... E os dominós embuçados, as dançarinas amarrotadas, a coleção indecisa das máscaras de último instante arrastando-se extenuadas! Dei para andar pelo largo do Página 3 Rocio e ia caminhando para os lados da Secretaria do Interior, quando vi, parado, o bebê de tarlatana rosa. Era ele! Senti palpitar-me o coração. Parei. RIO, João do. O bebê de tarlatana rosa. In: RIO, João do. Dentro da noite. Rio de Janeiro: H. Garnier, 1910. Texto com ortografia atualizada. Edição original disponível na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin — USP.

João do Rio produziu parte significativa de sua obra durante as transformações urbanas experimentadas pelo Rio de Janeiro no início do século XX. Considerando o fragmento de “O bebê de tarlatana rosa” e sua inserção na Literatura Brasileira, uma característica da produção do autor nele evidenciada consiste na

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.