Língua PortuguesaObjeto direto e objeto indiretoPRH-UEM 2013
UEM
Questão de Língua Portuguesa
A arte na história (Graça Proença) 1 Olhando à nossa volta, constatamos que vivemos rodeados de uma enorme quantidade de objetos, seja em casa, no trabalho, na sala de aula ou nos mais diversos lugares. Se examinarmos esses objetos, verificaremos que todos eles foram feitos com uma determinada finalidade. É o caso dos utensílios domésticos ou dos instrumentos de trabalho, como a máquina de escrever, a calculadora, o lápis, a régua, a luminária. Há, enfim, um grande número de coisas que facilitam nossa vida: no estudo, no trabalho, nos afazeres de casa, no lazer. 2 Ao longo da história, o homem sempre produziu ferramentas para facilitar seu trabalho ou para ajudá-lo a superar suas limitações físicas. A vara e o anzol, por exemplo, nada mais são do que o prolongamento do seu braço; o guindaste, por sua vez, facilita o levantamento de pesos que não poderiam ser movidos apenas com a força muscular. 3 Assim, o homem, um ser que facilmente seria vencido pelos elementos da natureza, produziu um sem-número de artefatos que lhe possibilitaram dominar e transformar o meio natural. 4 Essa atitude de criar instrumentos e aperfeiçoá-los constantemente torna possível a compreensão do processo civilizatório pelo qual o homem vem passando desde que surgiu sobre a Terra. 5 Os antropólogos culturais sabem muito bem disso e são capazes de reconstituir a organização social de um grupo humano a partir dos objetos que se preservaram. Assim, observando potes, urnas mortuárias e instrumentos rudimentares para tecer, caçar ou pescar, pode-se ficar sabendo como os homens de antigamente viviam seu dia-a-dia. 6 Muitos dos objetos expostos em museus ou que fazem parte da nossa vida diária têm uma utilidade evidente: basta vê-los para logo sabermos para que servem; outros, por serem mais complexos, exigem que alguém mais informado nos explique seu funcionamento e sua finalidade. Contudo o ser humano também produz coisas que, apesar de não terem uma utilidade imediata, sempre estiveram presentes em sua vida. É a respeito delas que nos perguntamos por que e para que foram feitas. 7 A resposta a essa pergunta nos mostra que o homem cria objetos não apenas para se servir utilitariamente deles, mas também para expressar seus sentimentos diante da vida e, mais ainda, para expressar sua visão do momento histórico em que vive. Essas criações constituem as obras de arte e também contam – talvez de forma muito mais fiel – a história dos homens ao longo dos séculos. Segundo Ruskin, crítico de arte inglês, “as grandes nações escrevem sua autobiografia em três volumes: o livro de suas ações, o livro de suas palavras e o livro de sua arte”. E acrescenta: “nenhum desses três livros pode ser compreendido sem que se tenham lido os outros dois, mas, desses três, o único em que se pode confiar é o último”. 8 Dessa forma, as obras de arte não devem ser encaradas como algo extraordinário dentro da cultura humana. Ao contrário, devem ser vistas como profundamente integradas na cultura de um povo, pois ora retratam elementos do meio natural, como é o caso das pinturas nas cavernas de Altamira, na Espanha, ora expressam os sentimentos religiosos do homem, tal como o quadro Natividade, do pintor renascentista Sandro Botticelli, ou a máscara de um deus da antiga civilização pré-colombiana do México. Podem também retratar situações sociais, como A Família de Retirantes, do pintor brasileiro Cândido Portinari, ou Mãe Camponesa, do artista mexicano Siqueiros. Às vezes, o artista pode ainda trabalhar apenas com valores pictóricos – cor e composição – e sugerir diferentes impressões a quem contempla suas obras, como as pinturas de Tomie Ohtake. 9 Na verdade, a preocupação do homem com a beleza está tão presente nas culturas que até mesmo os objetos essencialmente úteis são concebidos de forma harmoniosa e apresentam-se em cores muito bem combinadas. Isso pode ser constatado quando observamos uma urna grega ou um moderno automóvel com suas cores brilhantes e suas formas aerodinâmicas. 10 A arte não é algo isolado das demais atividades humanas. Ela está presente nos inúmeros artefatos que fazem parte do nosso dia-a-dia. Muitas coisas que hoje observamos nos museus, ontem faziam parte do cotidiano do homem. Da mesma forma, muitas construções que atualmente são monumentos tombados como patrimônio histórico de um povo, antigamente eram locais de moradia e, neles, famílias viveram momentos de tranquilidade, de apreensão, de medo e de alegria. Assim, as construções em que moramos hoje, bem como os utensílios que agora fazem parte da nossa vida diária, futuramente poderão estar nos museus, atestando os nossos hábitos, os nossos valores e o nosso modo de vida. (Texto adaptado de PROENÇA, Graça. História da Arte. 16ª ed. São Paulo: Ática, 2003. p. 6-8.)
Assinale a alternativa correta sobre os complementos verbais (objeto direto e objeto indireto) presentes no texto.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



