Questões de Língua Portuguesa · FAPEU

Língua PortuguesaInferências, pressupostos e subentendidosFAPEU 2005

TRE SC

Questão de Língua Portuguesa

Texto 1 O americano Raymond Kurzweil nunca tinha aparecido na tevê até participar do I’ve got a secret (Eu tenho um segredo, em português), uma versão melhorada do Programa do Raul Gil, apresentado nos EUA por Steve Allen, na década de 1960. Seu número era simples: ele tocaria piano e, no final, contaria um segredo. E foi assim, à queima-roupa, que disparou, logo após os aplausos: “Construí meu próprio computador.” Sem entender, Allen perguntou: “O que isso tem a ver com a música que você executou?” A resposta deixou a platéia boquiaberta: “Foi ele quem a compôs.” Premiado e bem-sucedido com a venda de suas invenções, que vão do sintetizador ao OCD (um tipo de scanner), Kurzweil se tornou um dos cientistas mais respeitados na construção de andróides. É verdade que sua “Ramona” não saiu do papel, mas ele não perde o otimismo. Pode ser que a robô não nasça tão humana quanto ele gostaria, mas isso não o impede de profetizar que, em 2030, os robôs serão confundidos com gente de carne e osso. Sim! O visionário defende que essas engenhocas estarão cada vez mais humanas. Sinais de que esta realidade está próxima não faltam. O mais recente é o lançamento do Robosapiens, pela chinesa Wow Wee. O boneco computadorizado imita movimentos humanos, dança, e realiza pequenas tarefas, todas controladas a distância por controle remoto. Da família de andróides, ele é o único a chegar às prateleiras das lojas, o que ajuda a explicar a febre consumista. Só no Natal passado, as lojas da Europa e dos EUA esgotaram seus estoques de robôs. O humanóide não chega a ser inteligente como a empregada Rosie, do desenho animado Os Jetsons. “Só que ele pode pegar uma meia do chão e levar para o cesto de roupas sujas”, diz seu criador, o especialista em robótica Mark Tilden. Para o começo, já vale, mas serão esses bibelôs da robótica capazes de ser tão humanos quanto nós? Para saber, o brasileiro Carlos Ferreira da Silva criou uma fórmula batizada de “fator Silva” para definir o índice de humanidade (IH) dos cérebros de lata. Ele varia de zero (que equivale à humanidade de uma ameba) a um (igual ao do mais humano dos seres). O cálculo considera quatro coeficientes: físico, intelectual, sentimental e espiritual. Cada um tem peso de 0,25 e, somados, representam as características inerentes ao Homo sapiens. É preciso muito cuidado na hora de fazer a conta. Afinal, quem perdeu uma das pernas não deixa de ser humano. Tampouco um autômato ganha pontos só por falar a nossa língua. Para as características intelectuais, se avaliam desde poder de raciocínio até habilidade emocional, valorizando-se, principalmente, a cognição, a capacidade inata de aprender por tentativa e erro. O aspecto espiritual não se refere à religiosidade, mas à procura do bem-estar pela evolução da mente. Como nem tudo é perfeito, o fator Silva dos humanos varia entre 0,84 e 0,94. Portanto, para que um andróide desfilasse pelas avenidas a ponto de ser confundido com um humano, deveria ter um índice de, no máximo, 0,75 – lembrando que as máquinas não têm consci- ência. Por enquanto. WIZIACK, Júlio. A um passo da emoção. Ciência, Tecnologia & Meio Ambiente. Disponível em: <http://www.terra.com.br/istoe/1843/ciencia/1843_um_passo_da_emocao.htm>. Acesso em: 04 de abr. 2005. [Adap- tado].

Considerando o sentido explícito e implícito da frase "Da família dos andróides, ele é o único a chegar às prateleiras das lojas, o que ajuda a explicar a febre consumista" (linhas 16-18), assinale a alternativa CORRETA.

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