Língua PortuguesaGêneros jornalísticosINSTITUTO MAIS 2022
FASE RS
Questão de Língua Portuguesa
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 9. O sociólogo francês Edgar Morin, no livro “Cultura de Massas no Século XX: o espírito do tempo” (1962), levanta uma característica da mídia de sua época que gritava aos seus olhos. Ele dizia que a imprensa tinha uma habilidade única de jogar personalidades no alto do Olimpo, colocando-as em maior destaque do que suas atribuições culturais. Diz ele que “esses olimpianos não são apenas os astros, mas também os campeões, príncipes, reis, playboys, exploradores, artistas célebres, Picasso, Cocteau, Dali, Sagan... Margaret e B. B., Soraya e Liz Taylor, a princesa e a estrela se encontram no Olimpo da notícia dos jornais, dos coquetéis, recepções, Capri, Canárias, e outras moradas encantadas. A informação transforma esses olimpos em vedetas da atualidade”. Meio século após esta observação certeira, o jornalismo cultural habituou-se a cultivar deuses descartáveis, ainda mais quando a crise financeira pede estratégias para segurar leitores e espectadores pagantes. E nada como transformar o mundano num enredo hollywoodiano que toma todos os telejornais do dia, como a notícia “histórica” de que Kate acabou de dar à luz a Charlotte, a princesinha. Grandes consumidores dos impostos dos ingleses, a família real sabe que precisa dar este gostinho aos seus súditos, e se adapta ao furor midiático. Mas revistas e telejornais – e não só os programas de fofoca – elevam à dignidade de um acontecimento histórico algo absolutamente banal. Príncipe William e Kate levam os filhos à missa de Natal, diz o portal Glamour, em sua cobertura “cultural”. William e Kate levam George e Charlotte à festa infantil no Canadá, estampa o G1 na página principal. O culto à personalidade é muito mais antigo que a citação de Morin, mas hoje, ele tomou conta até de veículos com cobertura cultural séria. Determinada emissora televisiva dedicou horas e horas ao Prêmio Nobel de Literatura concedido a Bob Dylan sem um minuto sequer de um especialista cultural explicando os méritos musicais do compositor, nas melodias, letras, instrumentos etc. Será que colocar um trecho de Blowin’ in the Wind é o suficiente para todos os telespectadores entenderem o quão genial é Dylan? O jornalismo cultural também é prodigioso em preparar o Olimpo para os próximos deuses, ainda que não tenham dado nenhuma fagulha de talento para justificar o espaço nobre na imprensa. Mas ser filho de famoso já é ingresso suficiente, certo? Filha de Tom, Maria Cavalcante entrevista famosos na web e sonha em atuar, estampa o UOL. Calma, Maria, logo logo, graças à exposição do seu talento ainda em gestação, um convite para novela irá surgir. E então, mais perfis surgirão sobre sua vida pessoal do que, necessariamente, suas técnicas de atuação. (BALLERINI, Franthiesco. O Olimpo dos deuses descartáveis. Observatório da Imprensa, 14.02.2017. Adaptado)
De acordo com a leitura do segundo parágrafo, é correto afirmar que o jornalismo cultural
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


