Língua PortuguesaInterpretação de textosCom. Org. (IFSP) 2016
IF SP
Questão de Língua Portuguesa
- Olhem, vamos ter novidades amanhã. Uma história nova que vou contar, muito comprida… 6 - De urso que vira príncipe? - quis saber a emilia. 7 - Não. A história que vou contar é a história do mundo, ou universal. 8 Às sete horas em ponto, no dia seguinte, estavam todos reunidos na sala de jantar. Todos, menos três: Rabicó, que não queria aprender coisa nenhuma; o rinoceronte que era muito grande para caber lá dentro; e o Doutor Livingstone, que já estava outro (com esse sábio, tinha acontecido um fenômeno maravilhoso: começara a mudar de aspecto, a transformarse em outra pessoa, até que um dia amanheceu de novo virado no velho Visconde de Sabugosa!). E foi diante do bandinho quase completo que Dona Benta começou. 9 - Há muito, muito tempo – disse ela – há milhões e milhões de anos, não existia gente nesta Terra e, portanto, não existiam casas, nem nenhuma das coisas que só existem onde há gente, como cidades, estradas de ferro, pontes, automóveis e tudo mais que se vê no mundo de hoje. 10 - Que é que havia então? – perguntaram todos. – Animais selvagens. Ursos e lobos, pássaros e borboletas, rãs e cobras, tartarugas e peixes. Mas milhões de anos antes, nem isso havia no mundo. Apenas havia plantas. 11 - E mais antes ainda não havia nem plantas, aposto! – gritou Pedrinho erguendo o dedo. 12 Isso mesmo – confirmou Dona Benta. Mais antes ainda, não havia no mundo nem gente, 2 nem animais, nem plantas. Só havia rochas e águas. Pedra e água – só, só, só. O que não era água era pedra, e o que não era pedra era água. 13 E antes desse tempo, vovó? 14 - Antes, muito antes desse tempo, não havia nada, porque não havia mundo – o nosso mundo. Havia, entretanto, estrelas no espaço, isto é, enormes massas de fogo enormes bolas de metais derretidas, refervendo. O sol, este nosso sol de todos os dias, era uma das tais estrelas. 15 - Mas naquele tempo o sol não se apresentava tão sossegado como o vemos hoje. Estava ainda num período de tremenda fervura, com explosões de tal violência que por várias vezes enormes espirros da sua massa de fogo se despregavam, eram arremessadas a grandes distâncias e ficavam no espaço, girando sozinhos, como se fossem outros tantos astros novos. [...] (LOBATO, Monteiro. História do Mundo Para as Crianças: fragmento de como o nosso mundo começou. 6 ed. São Paulo: Brasiliense, 1994). 1 monteiro Lobato, em Sítio do Pica-pau Amarelo, sua obra mais divulgada, narrava, na maior parte das vezes, as aventuras dos netos de Dona Benta: Pedrinho e Narizinho. essas aventuras, ou eram vividas em um mundo fantástico criado pelas crianças, ou eram desencadeadas pelas histórias contadas por Dona Benta no começo da noite. No texto, o trecho que melhor justifica a atitude de Dona Benta ao contar a história do mundo para os netos é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
