Língua PortuguesaMau/mal, há/a, onde/aonde, senão/se não e outras grafiasFundatec 2020
Prefeitura Municipal de Santa Rosa/RS Concurso Público nº
Questão de Língua Portuguesa
Um país que taxa livros impede que o conhecimento circule 01 Livros podem ser uma fonte de renda fenomenal para um país. Mas não é por meio da 02 cobrança de impostos. As cifras que o governo obterá com a taxação de obras impressas em 03 curto prazo são muito inferiores __ riqueza que o Brasil poderia gerar em longo prazo se essas 04 obras circulassem. É como matar a galinha dos ovos de ouro para fazer uma canja bem magra 05 – em vez de manter o bichinho vivo e bem alimentado para que ele forneça o metal precioso 06 por anos. Países desenvolvidos alicerçam suas economias em conhecimento, e não em 07 plantações de soja. 08 Primeiro, vamos repetir a notícia: livros são isentos por lei do Pis/Pasep e do Cofins desde 09 2004. Paulo Guedes e companhia querem unificar essas duas contribuições em um novo 10 imposto sobre valor agregado – chamado Contribuição Social sobre Operações com Bens e 11 Serviços (CBS), cuja alíquota seria de 12% – e, então, tirar a isenção do mercado editorial. A 12 proposta ainda será submetida __ votação no Congresso. 13 “[O aumento de preço] ainda não foi quantificado, até ......... o encaminhamento da 14 proposta ao Congresso é muito recente. Mas claro que haverá elevação no preço dos livros, 15 que impacta o mercado editorial como um todo. Além disso, a taxação pode inviabilizar as 16 atividades de livrarias e distribuidoras”, diz Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do 17 Livro, ao portal G1. 18 Ninguém nega que o País precise de uma reforma tributária, mas usá-la de pretexto para 19 taxar livros é apenas um remendo em uma planilha de Excel – um exemplo de má-gestão. 20 Fechar __ contas de um país com dinheiro de editoras que já se viram nos trinta para sobreviver 21 é um ótimo jeito de garantir que o país continue sem fechar suas contas no futuro. Vamos 22 explicar o .......... a seguir. 23 Em defesa da medida, Paulo Guedes argumentou o óbvio: que é melhor taxar produtos 24 consumidos por ricos ......... eles dinheiro para arcar com os impostos. O primeiro erro da 25 afirmação é que livros não são consumidos só por ricos. O segundo é pressupor que dê para 26 construir um país decente adicionando mais uma barreira ao acesso do conhecimento pelos 27 pobres. Luiz Schwarcz, editor da Cia. das Letras, resumiu bem em um artigo na Folha de S. 28 Paulo: “Na mais recente Bienal do Livro no Rio de Janeiro, da qual participaram 600 mil 29 pessoas, grande parte era de jovens da classe C. Na Flup (festa literária das periferias), os 30 dados são ainda mais eloquentes: do público total do evento, 97% se declaram leitores 31 frequentes de livros, 51% têm entre 10 e 29 anos, 72% são de não brancos e 68% pertencem 32 às classes C, D e E”. 33 Esses dados demonstram que, com as políticas de acesso à educação e cultura dos 34 governos FHC e Lula, jovens de classe C puderam finalmente se matricular no ensino superior 35 (com frequência, em universidades públicas) e adquirir um interesse genuíno pelo consumo de 36 livros. Essas pessoas podem não ser a principal fonte de sustento das editoras; mas sem dúvida 37 são a fonte que mais cresce. Afinal, são jovens recém-chegados às livrarias, cujos pais e avós 38 não tiveram acesso às mesmas oportunidades. 39 Em resposta, Guedes afirmou – de maneira bem genérica, sem entrar em méritos práticos 40 – que pretende dar livros para a população de baixa renda. O problema é que a população de 41 baixa renda não vai exatamente prosperar com os péssimos livros didáticos oferecidos nos 42 colégios públicos brasileiros, nem com quaisquer obras paradidáticas escolhidas de antemão 43 pelas autoridades (que eram o provável alvo da declaração). 44 É complicado que o pouco envolvimento que as pessoas de baixa renda com leitura 45 além dos livros didáticos gire em torno de escolhas feitas pelos governantes, e não por si 46 próprias. E mesmo que o Ministro da Economia tivesse outras intenções em mente, como algo 47 na linha de um cartão vale-livros, a formulação da frase indica que ele ignora algo fundamental: 48 as pessoas só constroem conhecimento de verdade quando liberdade para mergulhar nos 49 assuntos que as interessam, escolher que obras vão adquirir e interpretá-las com base em 50 outras leituras. Conhecimento não é decorar uma porção de nomes e datas; conhecimento é 51 ter repertório e liberdade para pensar criticamente sobre o mundo. E isso, sim, é uma máquina 52 de fazer grana, melhor que qualquer imposto. (Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/um-pais-que-taxa-livros-impede-que-o-conhecimentocircule-e-sai-no-prejuizo/ – Texto especialmente adaptado para esta prova.)
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas das linhas 13, 22 e 24.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


