Língua PortuguesaConectivos e relações de sentidoSMA-RJ (antiga FJG) 2002
Pref RJ
Questão de Língua Portuguesa
Se é certo que os cursos de água puderam muitas vezes retardar a marcha dos sertanistas, sua ausência completa poderia determinar problemas de complicada solução. Em certos lugares e ocasiões era possível caminhar dias inteiros sem precisar transpor um único arroio. Ribeiros que na estação das chuvas ofereciam água em abundância só deixavam, agora, distinguir das terras marginais o álveo enxuto e calcinado. Poupava-se com isso a obrigação de procurar vau, lançar pinguelas, fabricar pirogas e balsas, mas não se evitava o pior: a angústia da sede. E aqui aparece a perícia admirável e verdadeiramente divinatória desses rudes topógrafos que são os sertanejos. Pela configuração, pela coloração do terreno, por algum sinal só perceptível a olhos experimentados, sabem dizer com certeza a senda que há de levar a alguma remota aguada. Tanto mais digna de admiração é tal capacidade quanto, justamente nesses sítios, as nascentes se acham em geral bem abrigadas, parecendo desafiar a atenta argúcia do caminhante. "Para nós, europeus", exclama um observador, "é coisa absolutamente inconcebível o senso topográfico dessa gente, que, num terreno uniforme e sem a menor indicação, sabe achar logo o rumo exato para o olho-d'água mais próximo". A experiência do gentio da terra terá sido, ainda neste caso, de inapreciável valor para os nossos práticos do sertão. O zelo que põem estes em localizar e descobrir água potável pode ser avaliado pelos vários e engenhosos métodos que ainda hoje se empregam entre certas tribos com o mesmo fim. Diz-se, por exemplo, dos carajás que, quando pretendem saciar a sede, a primeira coisa que fazem é colocar-se com o rosto na direção de onde vem o vento. Se o vento é fresco, então se certificam de que passou por lugar onde existe água. Se ao contrário é quente, pouco ou nada adiantarão as pesquisas naquela direção. Assim também, para abrir um poço, o carajá costuma realizar previamente profunda sondagem, servindo-se de um pedaço de pau que possa penetrar profundamente o solo. Se o pedaço de pau sair úmido, é sinal de que a perfuração dará o resultado desejado. (HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos e fronteiras. 3 ed. São Paulo, Companhia das Letras. 1994.)
A noção semântica de proporcionalidade está presente na seguinte frase do texto:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


