Língua PortuguesaComparação entre textos e intertextualidadeFundep 2019
Pref Uberlândia
Questão de Língua Portuguesa
‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas Ao quente arfar das virações marinhas, Veleiro brigue corre à flor dos mares, Como roçam na vaga as andorinhas... Donde vem? onde vai? Das naus errantes Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? Neste saara os corcéis o pó levantam, Galopam, voam, mas não deixam traço. [...] Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs! E ri-se a orquestra irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais... Se o velho arqueja, se no chão resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais... Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri! No entanto o capitão manda a manobra, E após fitando o céu que se desdobra, Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros: “Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dançar!...” (Navio Negreiro – Castro Alves – 1880). Disponível em: <http://biblio.com.br/defaultz.asp?link=http:// biblio.com.br/conteudo/CastroAlves/navionegreiro.htm>. Acesso em: 5 ago. 2019. Estamos em pleno mar, embarcações de ferro e aço Onde pessoas disputam palmo a palmo por um espaço Nesse imenso rio negro de piche e asfalto Cristo observa tudo calado de braços abertos lá do alto Onde a lei do silêncio impede que ecoe o grito do morro Dos poetas em barracos sem forro, que clamam por socorro Homens de pele escura, sem sobrenome importante Filhos de reis e rainhas de uma terra tão distante O mar separa o Brasil da África Um rio separa as periferias das mansões de magnatas Uniformes diferenciam funcionários de patrões A cor denuncia vítimas antigas de explorações Trazidos em porões e navios negreiros Tratados como animais, vendidos a fazendeiros Vivendo em cativeiros 6 Negociados como mercadoria Enriquecendo a classe nobre, hoje chamada burguesia Deixou pra trás dialetos e crença Caçados, mortos e açoitados quem tentou resistência Tratados como gado, sem direito à educação Emudeceram seus tambores, amaldiçoaram sua religião [...] (Navio Negreiro – Slim Rimografia – 2011). Disponível em: <https://www.letras.mus.br/slim-rimografia/navio-negreiro/>. Acesso em: 5 ago. 2019.
O texto de Slim realiza uma intertextualidade com o texto de Castro Alves. Sobre esse diálogo, é incorreto afirmar:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

