Questões de Língua Portuguesa · Fundatec

Língua PortuguesaMetonímia e catacreseFundatec 2014

SEFAZ RS

Questão de Língua Portuguesa

4 Instrução: As questões de números 09 a 15 referem-se ao texto abaixo. O relógio das culturas 01 Atrase uma hora no Brasil e ninguém nem irá se importar muito. Mas, na Suíça, deixe alguém 02 esperando mais que cinco ou dez minutos e terá muito a explicar. Em algumas culturas, o tempo é elástico, 03 em outras, monolítico. De fato, o modo como membros de uma cultura percebem e usam o tempo reflete as 04 prioridades da sociedade e até sua visão do mundo. 05 Cientistas sociais registraram grande diferença no ritmo de vida em vários países e em como as 06 sociedades percebem o tempo: se como uma flecha penetrando o futuro ou como uma roda em movimento, 07 onde passado, presente e futuro giram sem parar. Algumas culturas combinam tempo e espaço: o conceito 08 dos aborígenes australianos do “tempo de sonhos” abrange não só o mito da criação, mas também o 09 método de se localizar no campo. Mas algumas visões de tempo interessantes, como o conceito de ser 10 aceitável uma pessoa poderosa manter alguém de status inferior esperando, desconhecer 11 diferenças culturais. Elas são universais. 12 O estudo de tempo e sociedade em pragmático e cosmológico. Do ponto de vista 13 prático, nos anos 50, o antropólogo Edward T. Hall escreveu que as regras de tempo social compõem uma 14 “linguagem silenciosa” para determinada cultura. As regras nem sempre são explícitas, analisou ele, mas 15 “subentendidas... Ou são cômodas e familiares, ou erradas e estranhas”. 16 Em 1955, ele descreveu na Scientific American como percepções diferentes de tempo podem levar 17 a mal-entendidos entre pessoas de culturas diversas. “Um embaixador que espera um visitante estrangeiro 18 mais que meia hora deve entender que se este último ‘mal murmura uma desculpa’ isto não é 19 necessariamente um insulto”, exemplifica. “O sistema de tempo no país estrangeiro pode ser composto de 20 unidades básicas diferentes, então o visitante não está tão atrasado quanto parece. Deve-se conhecer o 21 sistema de tempo do país, para saber a partir de que ponto as desculpas são realmente necessárias... 22 Culturas diferentes atribuem valores diversos para as unidades de tempo.” 23 A maioria das culturas do mundo agora usa relógios e calendários, unindo a maior parte do globo no 24 mesmo ritmo geral de tempo. Mas isso não significa que todos acertem o mesmo passo. Algumas pessoas 25 se estressam com o ritmo da vida moderna e ___ combatem com o movimento “slow food” enquanto em 26 outras sociedades as pessoas sentem pouca pressão no gerenciamento do tempo. 27 “Uma das curiosidades do estudo de tempo está no fato de ele ser uma janela para a cultura”, avalia 28 Robert V. Levine, psicólogo social na California State University, em Fresno. “É possível obter respostas 29 sobre valores e crenças culturais: uma boa ideia do que importa para as pessoas.” 30 Levine e seus colegas fizeram novos estudos do “ritmo de vida” em 31 países. Em A geography of 31 time, publicado pela primeira vez em 1997, Levine descreve a classificação dos países usando três 32 medidas: velocidade para andar nas calçadas urbanas, rapidez de um funcionário do correio em vender um 33 simples selo e a precisão dos relógios públicos. Baseado nessas curiosas variáveis ele concluiu que os 34 cinco países mais rápidos são Suíça, Irlanda, Alemanha, Japão e Itália e os cinco mais lentos, Síria, El 35 Salvador, Brasil, Indonésia e México. Os Estados Unidos ocupam o 16º lugar, próximo ao mediano. 36 A natureza obscura do tempo pode dificultar a tarefa dos antropólogos e psicólogos sociais. “Não se 37 pode simplesmente chegar numa sociedade, se aproximar de alguém e perguntar: ‘Qual é a sua noção de 38 tempo?’”, adverte Kevin K. Birth, antropólogo no Queens College. “As pessoas não terão resposta. Então, 39 tente outros meios para descobrir isso.” 40 A forma de lidar com o tempo no cotidiano não está relacionada ao conceito de tempo como 41 entidade abstrata. “Muitas vezes há uma separação entre como uma cultura encara a mitologia do tempo e 42 como as pessoas pensam a respeito do tempo em suas vidas,” relata Birth. “Não pensamos sobre as teorias 43 de Stephen Hawking do mesmo modo que sobre a rotina diária.” [...] 44 Ziauddin Sardar, autor e crítico britânico muçulmano, escreveu sobre o tempo e culturas islâmicas, 45 especialmente a seita fundamentalista wahhabista. Os muçulmanos “sempre carregam o passado consigo”, 46 afirma Sardar, editor da revista Futures e professor convidado de estudos pós-coloniais da City University, 47 em Londres. “No Islã o tempo é uma tapeçaria que o passado, o presente e o futuro. O passado 48 é sempre presente.” 49 Sardar afirma que o Ocidente colonizou o tempo ao divulgar a expectativa de que a vida deveria se 50 tornar melhor conforme o tempo passa: “Ao colonizar o tempo, se coloniza o futuro. Acreditando-se que o 51 tempo é uma flecha, então o futuro seria o progresso, seguindo uma direção. Mas pessoas diferentes 52 podem desejar futuros diferentes.” Fonte: texto adaptado – Disponível em< http://www2.uol.com.br/sciam/artigos/relogio_das_culturas.html > 5

Analise as assertivas abaixo sobre determinadas expressões do texto, assinalando V, para as verdadeiras, ou F, para as falsas. ( ) Na frase ‘Em algumas culturas, o tempo é elástico, em outras, monolítico’ (l.02-03) ocorre uma metonímia. ( ) O termo “tempo dos sonhos” (l.08) foi utilizado para introduzir na frase a ideia de que os aborígenes australianos viviam apenas em um mundo imaginário. ( ) ‘cosmológico’ (l.12) poderia ser substituída, sem qualquer alteração de sentido, por ‘cosmométrico’. ( ) O fragmento ‘o tempo é uma tapeçaria’ (l.47) é uma metáfora. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

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