Língua PortuguesaPolissemiaINEPAM 2025
CREA MT
Questão de Língua Portuguesa
O texto a seguir se refere às questões de 01 a 05. AS PARADAS O Norberto, que a princípio aceitou com entusiasmo as paradas dos bondes de Botafogo, é hoje o maior inimigo delas. Querem saber por quê? Eu lhes conto: O pobre rapaz encontrou uma noite, na Exposição, a mulher mais bela e mais fascinante que os seus olhos ainda viram e essa mulher - oh, felicidade!... oh, ventura!... -, essa mulher sorriu-lhe meigamente e com um doce olhar convidou-o a acompanhá-la. O Norberto não esperou repetição do convite: acompanhou-a. Ela desceu a Avenida dos Pavilhões, encaminhou-se para o portão, e saiu como quem ia tomar o bonde; ele seguiu-a, mas estava tanto povo a sair, que a perdeu de vista. Desesperado, correu para os bondes, que uns seis ou sete havia prontos a partir, e subiu a todos os estribos, procurando em vão com os olhos esbugalhados a formosa desconhecida. - Provavelmente foi de carro, pensou o Norberto, que logo se pôs a caminho de casa. Deitou-se mas não pôde conciliar o sono: a imagem daquela mulher não lhe saía da mente. Rompia a aurora quando conseguiu adormecer para sonhar com ela, e no dia seguinte não se passou um minuto sem que pensasse naquele feliz encontro. Daí por diante foi um martírio. O desditoso namorado começou a emagrecer, muito admirado de que lhe causassem tais efeitos um simples olhar e um simples sorriso. Passaram-se alguns dias e cada vez mais crescia aquele amor singular, quando uma tarde, oh, que ventura!... oh, que felicidade!... -, uma tarde passeando no Catete, o Norberto vê num bonde das Laranjeiras a dama da Exposição. Ela não o viu. O pobre-diabo faz sinal ao condutor para parar, mas por fatalidade o poste da parada estava muito longe e o bonde não parou. E não haver ali à mão um tilburi, uma caleça, um automóvel!... O Norberto deitou a correr atrás do bonde, mas só conseguiu esfalfar-se. Que pernas humanas haverá tão rápidas como a eletricidade? Esse novo encontro acendeu mais viva chama no peito do Norberto, e não tiveram conta os passeios que ele deu do Largo do Machado às Águas Férreas, na esperança de vê-la a sua amada e falar-lhe. Oito dias depois, o Norberto percorria de bonde, pela centésima vez, as Laranjeiras, quando, nas alturas do Instituto Pasteur, viu passar - oh, felicidade!... oh, ventura!... -, viu passar na rua a mulher que tanto o sobressaltava. - Pare! pare!... gritou ele ao condutor. - Aqui não posso; vamos ao poste de parada! O Norberto quis descer, mas a rapidez com que o bonde rodava era tamanha, que não se atreveu. Chegando ao poste de parada, ele atirou-se à rua, e deitou a correr para o lugar onde vira a mulher, mas, onde estava ela? Tinha desaparecido! Aí está por que o Norberto é hoje o maior inimigo das paradas. (AZEVEDO, Artur. As paradas. Disponível em: https://dominiopublico.mec.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=7446. Acesso em 28 out. 2025)
No texto, há um verbo usado duas vezes com dois sentidos diferentes. Esse verbo é:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.




