Questões de Língua Portuguesa · CONSULTEC (AIETEC)

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Questão de Língua Portuguesa

O espelho Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Não imaginam o acontecimento que isto foi em nossa casa. Minha mãe ficou tão orgulhosa! tão contente! Chamava-me o seu alferes. Primos e tios deram- me o mesmo título. Na vila, note-se bem, houve quem me invejasse; outros, porém, saudaramme com consideração. Minha tia Marcolina, viúva do capitão Peçanha, mandou-me dizer que fosse passar alguns dias com ela, e prometeu tratar-me como merecia. Fui. A casa era antiga, o sítio sossegado, e tudo ali parecia disposto para fazer crescer em mim a importância da patente. Minha tia não me chamava Joãozinho, como dantes; chamava-me senhor alferes. Os escravos repetiam o tratamento. As visitas olhavam-me de outro modo. A farda, que eu levara comigo, parecia ter entrado antes de mim em todos os aposentos. O certo é que todas essas coisas, carinhos, atenções, obséquios, fizeram em mim uma transformação, que o natural sentimento da mocidade ajudou e completou. O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. ASSIS, Machado de. O espelho. In: ASSIS, Machado de. Papéis avulsos. Rio de Janeiro: Lombaerts & C., 1882. Adaptado.

No trecho “A farda, que eu levara comigo, parecia ter entrado antes de mim em todos os aposentos”, a imagem construída pelo narrador sugere que

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