Língua PortuguesaSinônimos e antônimosINEPAM 2026
CM Mongaguá
Questão de Língua Portuguesa
O jargão Sou fascinado pela linguagem náutica, embora minha experiência no mar se resuma a algumas passagens em transatlânticos, onde a única linguagem técnica que você precisa saber e "a que horas servem o bufê?". Nunca pisei num veleiro e se pisasse seria para dar vexame na primeira onda. Eu enjoo em escada rolante. Mas, na minha imaginação, sou um marinheiro de todos os calados. Senhor de ventos e de velas e, principalmente, dos especialíssimos nomes da equipagem. Me imagino no leme do meu grande veleiro, dando ordens à tripulação - Recolher a traquineta! - Largar a vela bimbão, não podemos perder esse Vizeu. (O Vizeu é um vento que nasce na costa ocidental da África, faz a volta nas Malvinas e nos ataca a bombordo, cheirando a especiarias, carcaças de baleia e, estranhamente, a uma professora que eu tive, no primário.) - Quebrar o lume da alcatra e baixar a falcatrua. - Cuidado com a sanfona de Abelardo! (A sanfona é um perigoso fenômeno que ocorre na vela parruda em certas condições atmosféricas e que, se não contido a tempo, pode decapitar o piloto. Até hoje não encontraram a cabeça do comodoro Abelardo.) - Cruzar a spinola! Domar a espátula! Montar a sirigaita! Tudo a macambúzio e dois quartos de trela, senão afundamos e o capitão é o primeiro a pular! - Cortar o cabo de Eustaquio! Sempre imaginei que poderia escrever uma coluna de economia usando um jargão falso assim, com pseudônimo. Não sei quanto tempo duraria até eu ser descoberto e desmascarado, mas acho que não seria pouco. Não estou dizendo que quem escreve sobre economia não sabe o que está escrevendo, ou se aproveita da ignorância generalizada para enganar. Estou dizendo que a análise econômica é uma arte tão imprecisa que, mesmo desconfiando do embuste, a maioria hesitaria antes de denunciá-lo. Quem garantiria que o meu enfoque diferente - minha defesa de um overspread corretivo sobre a base de pagamentos, por exemplo - não era uma novidade que merecia estudo, já que ninguém parece mesmo saber o que é o certo? (VERISSIMO, Luís Fernando. O jargão. Disponível em https://contobrasileiro.com.br/o-jargao-luis-fernando-verissimo/. Acesso em 31 março 2026)
"Estou dizendo que a análise econômica é uma arte tão imprecisa que, mesmo desconfiando do EMBUSTE, a maioria hesitaria antes de denunciá-lo." A palavra em destaque pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



