Língua PortuguesaAspas, travessão e parêntesesPGP UFV 2013
UFV
Questão de Língua Portuguesa
1 Cursos de caligrafia atraem alunos que, apesar dos computadores, querem reaprender a letra cursiva por Thiago Alves § 1 Numa época em que os manuscritos andam cada vez mais raros, em que quase tudo é digitado num teclado de computador ou na tela de um smartphone, ainda existem pessoas interessadas em caligrafia, a arte milenar da escrita a mão. Nas escolas especializadas ou em aulas particulares, alunos repetem exaustivamente o abecedário em letra cursiva até alcançar uma estética primorosa. "As pessoas esqueceram como se escreve, temos de reensiná-Ias", diz Kátia Xanchão, instrutora de caligrafia do Senac Minas, especialista nos estilos inglês e bordado holandês. Carioca que se mudou para Belo Horizonte há 26 anos, Kátia até tentou não seguir os passos de calígrafa da mãe. Chegou a formar-se em administração de empresas, mas só trabalhou na área por um curto período. "Não gostei da profissão e resolvi cursar caligrafia", conta. Há doze anos, ela começou a dar aulas particulares e não parou mais. Assim que conseguiu uma boa clientela, largou de vez a antiga profissão. "Tenho uma boa rentabilidade e ainda faço o que amo." Adolescentes com garranchos ininteligíveis, vestibulandos e interessados em prestar concurso público são frequentes em sua sala de aula. § 2 A restauradora Nathália Falagán, de 25 anos, é um exemplo dessa geração que praticamente abandonou a escrita a mão e procura, no curso de caligrafia, melhorar a própria letra. "Uso o computador ou o celular para me comunicar, praticamente não escrevo no papel", admite. A falta de prática com a caneta fez sua letra ficar quase ilegível, a ponto de deixar a moça constrangida nas primeiras aulas da faculdade de letras, que iniciou neste mês. "Se um dia vier a ser professora, terei pelo menos de ter letra bonita", afirma. O servidor estadual Geraldo Magela de Almeida, de 48 anos, se matriculou no começo de fevereiro. "Em apenas um mês de aulas, minha letra já está muito mais bonita." Pai de um rapaz que se prepara para prestar concurso público, Almeida recomendou as aulas de caligrafia ao filho. "A letra dele é horrível, e isso pode prejudicá-Io na prova." § 3 Apaixonada pela escrita desde os tempos em que trabalhava como alfabetizadora, a educadora aposentada Marina Miranda não tem letra feia, mas voltou à escola como aprendiz em busca de uma terapia. "A caligrafia me deixa mais calma e ajuda a me concentrar", garante. A aposentada não descarta a possibilidade de trabalhar como calígrafa e complementar a renda sobrescritando convites de casamento e formatura. "É um bom passatempo para não ficar parada", diz ela. § 4 A Associação de Calígrafos de Belo Horizonte estima que cerca de 2000 pessoas exerçam o ofício na cidade. Entre esses profissionais, um dos mais famosos é Silvio Antônio de Sousa, de 73 anos, que há mais de duas décadas ensina a técnica em seu escritório na Rua São Paulo, no Centro. Autor de dois livros sobre o assunto, o professor só dá aulas particulares. Para a primeira lição, não é preciso papel nem caneta. O que Sousa explica, antes de qualquer coisa, é como sentar-se corretamente à mesa. "Os meninos de hoje sentam-se na ponta da cadeira, com a coluna toda curvada. Não dá para escrever direito assim." Com sua mão sobre a do discípulo, ele mostra pacientemente como desenhar cada letra nas folhas pautadas. "Não existe caso incorrigível", assegura. Segundo o mestre dos calígrafos, bastam dez horas de aula para qualquer um sair de lá escrevendo bonito. (ALVES, Thiago. Contra os garranchos. Revista Veja BH. Ano 46, n. 12, 20 mar. 2013, p. 33-34.)
" — Os casos são mesmo escassos, principalmente quando se leva em conta a força do futebol no país. Só não sei se faz muito sentido esse raciocínio que busca paralelos simplistas entre cultura esportiva e cultura literária. Não conheço o grande romance italiano de Fórmula 1 ou o grande romance japonês de sumô. Talvez porque o esporte seja um sistema narrativo completo, que não só prescinde de novas linguagens como tende até a rejeitá-las — diz o escritor." (§ 9) Na passagem acima, os travessões foram usados, respectivamente, para:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

