Língua PortuguesaConectivos e relações de sentidoFGD 2021
UFERSA
Questão de Língua Portuguesa
Texto 3 O projeto de lei que proíbe a linguagem neutra deve ser aprovado no Congresso? NÃO Prof. Rodrigo Borba (UFRJ) Tramitando no Congresso e em outros 14 estados, PLs contra linguagem neutra são tentativas esdrúxulas de reavivar o Escola Sem Partido, considerado inconstitucional no STF por impor censura à atividade docente e impedir a pluralidade de ensino. [...] Linguagem neutra se refere ao uso de pronomes e letras cujo objetivo é reconhecer a identidade de pessoas que não se entendem como masculinas ou femininas, um fenômeno geracional recente. No lugar de “ele” ou “ela”, algumas pessoas usam “ile”, “elu”, por exemplo. Palavras como “todos” tornam-se “todes”. Essas novidades podem assustar à primeira vista, mas nem de longe apresentam qualquer ameaça ao “todo da língua nacional”, como afirma a justificativa do PL. [...] Por sua simplicidade (afinal, são poucas palavras e letras), a linguagem neutra não precisa ser ensinada formalmente. Qualquer pessoa escolarizada com acesso à internet pode identificar e usar, se quiser. Proibi-la em sala de aula é arbitrário e catastrófico, pois impedirá que professores respondam dúvidas sobre o português que alunos veem na web. [...] a proposta de proibir a linguagem neutra é uma tempestade em copo d’água. O PL é uma alucinação ideológica, uma perda de tempo e de dinheiro público. Em um país com mais de meio milhão de mortos pela Covid-19, que vê aumento da fome e ameaças de ruptura institucional, a linguagem neutra não deveria ser uma questão. Fonte: Disponível em: https://outline.com/aynNMx. Acesso em: 19 de agosto de 2021. Você foi convidado por um jornal de grande circulação para escrever sobre o tema. Redija um artigo de opinião acerca da utilização da linguagem neutra na língua portuguesa. INSTRUÇÕES O texto deverá ser escrito, com caneta, na modalidade formal da Língua Portuguesa, e ter entre 8 e 30 linhas. SERÁ ATRIBUÍDA NOTA 0 (ZERO) A PROVA QUE: A) Estiver em branco; B) Não for redigida no gênero/tipo textual requerido na proposta; C) Fugir completamente ao tema da proposta da redação; D) For redigida fora do espaço destinado ao texto definitivo na Folha de Redação; E) For redigida de forma ilegível; F) Não for escrita com caneta preta; G) Apresentar identificação do candidato fora do espaço reservado; H) Contiver quantidade de linhas inferior ou superior ao determinado na proposta da redação. Nível D - 2º GRUPO - TÉC. EM CONTABILIDADE Leia o texto abaixo para responder às questões. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino Por Luiza Lunardi Publicada em 29 de janeiro de 2021 A história da linguagem acompanha a história humana no planeta. Desde que descobriu a comunicação por meio da voz e de símbolos, o ser humano passou a inventar, reinventar e renovar línguas a todo o momento, em uma atualização constante e ininterrupta. Apesar de ser um processo gradual e orgânico, uma inovação na língua portuguesa tem gerado controvérsias no mundo acadêmico e em debates na internet: o “gênero neutro”, proposta que prega a adição de sentido não-binário a palavras que sejam marcadas pela dicotomia masculino/feminino, substituindo os artigos A e O, que definem gênero na nossa língua. A mudança é defendida por grupos identitários, principalmente em prol da visibilidade de pessoas trans não-binárias, com o objetivo de garantir maior inclusão. Apesar de a polêmica existir na língua portuguesa, a discussão não é exclusiva de terras tupiniquins. Estudos realizados pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, com 3,9 mil falantes suecos indicam que a linguagem neutra de fato diminui preconceitos. Enquanto isso, na Espanha, a Real Academia do país se envolveu em polêmica em outubro de 2020, ao incluir o pronome neutro elle em seu observatório de palavras online e retirá-lo do ar três dias depois, após “confusão” entre internautas. A companhia aérea Japan Airlines (JAL) anunciou que irá abolir o termo “senhoras e senhores” do chamamento de seus voos. Outras empresas do setor aéreo como Air Canada e EasyJet também mudaram para saudações de gênero neutro desde 2019. Aqui no Brasil, o início do debate trazia elementos como X e o @ à tona, que seriam usados para substituir o A e O definidores de gênero das palavras. Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos, por provocarem a exclusão de pessoas com deficiência. “O problema foi principalmente apontado por pessoas cegas ou com baixa visão, que fazem uso de leitores de tela em aparelhos eletrônicos. Aplicativos com essa finalidade dão erro ou leem a palavra de forma errada quando marcamos o gênero neutro a partir do @ ou do X”, descreve Rafuska. Para contornar as características excludentes, novas formas de uso de gênero neutro para o português foram criadas. O “Manual para o Uso da Linguagem Neutra em Língua Portuguesa”, elaborado por Gioni Caê, estudante de Letras Português-Inglês da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), identifica quatro sistemas usados na linguagem neutra: Elu, Ile, Ilu e El. “Decidi juntar tudo o que tinha encontrado em um único local, para poder estudar e me adaptar. Daí surgiu o manual”, narra Gioni, que se identifica como pessoa não-binária e atende por pronomes masculinos. O uso do gênero neutro vem se tornando uma realidade entre pessoas não-binárias. É o caso de Mar Facciolla, de 21 anos, estudante de Psicologia de São Caetano do Sul, São Paulo, que se reconhece enquanto transgênero não-binárie, e pede que seja referide a partir do sistema Elu. Para Mar, a consequência mais importante da adoção de linguagem neutra na língua portuguesa é a humanização de pessoas transvestigêneras (termo que une as palavras “travesti, transexual e transgênero”) não-binárias e pessoas intersexo na sociedade. “No dia a dia, nossa existência não está incluída na sociedade. Essa dicotomia que atravessa nossos corpos faz com que sejamos excluídes”, afirma. Para e estudante de Psicologia, o pronome é uma demarcação social. Mar explica que, ao chamar alguém por pronomes femininos ou masculinos, coloca-se o indivíduo em um espectro de feminilidade ou masculinidade. “Tudo na sociedade que está relacionado a ‘ela’ está intimamente associado ao feminino. Igualmente, tudo o que é‘ele’está relacionado à masculinidade. O pronome é uma expressão de gênero, então quando utilizam pronomes femininos ou masculinos para se referirem a mim, estão me colocando em um lugar que não é meu”, explica Mar. Apesar de iniciativas como o Manual, a linguagem neutra segue sem reconhecimento acadêmico na língua portuguesa. Para o professor André Conforte, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a dificuldade de inserção do “gênero” está na quebra do fluxo contínuo da língua. “Não conheço um processo de mudança linguística que não tenha se dado de baixo para cima. Mudanças linguísticas impostas geralmente não acontecem e, quando acontecem, sofrem as resistências normais da língua. Por exemplo, quando o império romano impôs a sua língua (o latim) sobre a Península Ibérica, não foi a língua imposta que se estabeleceu por lá com o tempo”, exemplifica. A discussão sobre o assunto deve seguir na agenda dos brasileiros nos próximos anos. Para Gioni Caê, só o tempo dirá se a linguagem neutra vai ganhar visibilidade acadêmica e a popularização dos termos na sociedade em geral. “Não dá para colocar nada à força na vida de ninguém. É sempre importante termos respeito com todas as pessoas, e eu vejo a linguagem neutra assim. Como uma maneira de respeitar ês próximes”, afirma. LUNARDI, Luiza. Para todes: a reinvenção da língua portuguesa sem masculino ou feminino. 29 jan. 2021. Portal Colabora. Disponível em: https://projetocolabora.com.br/ods5/para-todes-a-reinvencao-da-linguaportuguesa-sem-masculino-ou-feminino/. Acesso em: 24 ago. 2021. Adaptado para fins didáticos.
No excerto: “Entretanto, segundo aponta a ativista Rafaela “Rafuska” Queiroz, do Movimento Estamos Todes em Ação (META Brasil), os próprios grupos defensores da linguagem neutra colocaram em questão a utilização desses termos gráficos”, sobre o elemento linguístico em destaque e a relação semântica estabelecida por ele no texto, é correto afirmar que apresenta valor semântico de:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


