Língua PortuguesaCrônica e contoFCC 2024
CETESB
Questão de Língua Portuguesa
Essa crônica é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever em Cotidiano [caderno do jornal FSP]. Devo ter perdido o juízo. Minha decisão contraria um dos dois maiores sonhos de cada escritor. Primeiro, o sonho de ser um best-seller. Confesso: sou vítima dessa vaidade. O outro sonho dos escritores é ter seus textos publicados num jornal importante. O que significa reconhecimento duplo: do jornal que os publica e dos leitores. Todo escritor tem uma pitada de narcisismo. Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: “tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas...” e Ele se pergunta se “não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas...” Respondo: sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos estão pesando. E, como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar. A obrigação: é isso o que pesa. Perco o sono atormentado por deveres, pensando no que tenho de escrever. Sinto – pode ser que não seja assim, mas é assim que eu sinto – que já disse tudo. Não tenho novidades a escrever. Mas tenho a obrigação de escrever quando minha vontade é não escrever. O tempo dos jornais é o hoje, as presenças. Mas minha alma é movida pelas ausências: nos jornais, não há lugar para ressurreições. (Adaptado de: ALVES, Rubem. “Despedida”. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 01/02/2024)
Depreende-se que o autor do texto pretende deixar de escrever uma coluna de jornal porque
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
