Língua PortuguesaInferências, pressupostos e subentendidosQuadrix 2022
CRBM 3
Questão de Língua Portuguesa
Texto para os itens de 1 a 20. 1 Se você assistir hoje a um filme de ficção científica feito na década de 1970 ou 1980, poderá não se surpreender tanto com as suas tecnologias. Afinal, uma videoconferência entre pessoas em diferentes lugares do mundo, como vemos nos filmes Alien e Blade Runner, ou os hologramas de Star Wars estão 4 aquém das tecnologias que já existem atualmente no mundo real. Mas se você assistisse a esses filmes em uma época em que nada disso existia, sua reação certamente seria diferente. Como será que os autores de obras como essas foram capazes de descrever tecnologias que 7 viriam a existir muito tempo depois? Seriam eles pessoas capazes de prever o futuro? Vários escritores fizeram, de fato, previsões tecnológicas para o futuro — algumas delas bastante certeiras. Na década de 1960, o escritor e bioquímico americano de origem russa Isaac Asimov (1920-1992) 10 chegou a prever que, em um futuro próximo, haveria robôs e veículos autônomos, uso de energia nuclear e solar, videoconferência por transmissão de sinais de satélite, além de refeições congeladas e um mundo com muita poluição. 13 Mas, apesar das habilidades preditivas de muitos escritores, é injusto reduzir suas obras a meros palpites acertados. Não é exagero dizer que muitos deles inspiraram cientistas a desenvolver as tecnologias dos seus livros e filmes. 16 Em 1906, por exemplo, o famoso 14-Bis levantava voo em Paris. Por trás da genial invenção, estava um ávido leitor, apaixonado e inspirado pelas obras do escritor francês Júlio Verne (1828-1905). Nas audaciosas concepções desse escritor, o pequeno Santos Dumont (1873-1932) vislumbrava a mecânica 19 e a ciência dos tempos do porvir, como conta em seu livro. Em 1973, o engenheiro Martin Cooper fazia a primeira ligação a partir de um telefone celular, uma invenção sua que, segundo declarou, teve inspiração no intercomunicador usado pelo capitão Kirk na série 22 Star Trek. Esses são apenas alguns dos vários exemplos de importantes figuras ligadas à produção tecnológica que publicamente declararam a influência da ficção científica nos avanços da tecnologia. Por isso, o mais 25 justo é dizer que a ficção científica e a tecnologia têm uma relação de mútua colaboração há mais de um século. O famoso cientista alemão Albert Einstein (1879-1955) escreveu: “A imaginação é mais importante 28 que o conhecimento. O conhecimento é limitado, enquanto a imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando à luz a evolução. Ela é, rigorosamente falando, um fator real na pesquisa científica”. Seu pensamento valoriza a dimensão imaginativa do ser humano como mola propulsora da 31 atividade dos cientistas. A formulação de hipóteses na tentativa de explicar um fenômeno é um processo que explora livremente diferentes possibilidades, o que se caracteriza como pensamento divergente, o qual permite múltiplas respostas. 34 As obras de ficção científica, ao criarem elementos narrativos para desenvolver o enredo, dão asas à imaginação e abrem novas perspectivas para as ciências e as tecnologias. Como seria a vida no planeta se aparelhos anulassem a gravidade? E se pudéssemos transferir a consciência para um robô? Perguntas como 37 essas embasam o trabalho de artistas e cientistas. As obras de ficção, portanto, ao se utilizarem da criatividade, podem antecipar ou mesmo sugerir avanços no campo da ciência e das inovações técnicas, pois estão no terreno fértil da imaginação e despertam interesse pela pesquisa científica. Lucas Miranda e Gabriel Lopes Garcia. Ficção científica e ciência de mãos dadas. Internet: <cienciahoje.org.br> (com adaptações).
Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto, julgue os itens de 1 a 10. O trecho “Nas audaciosas concepções desse escritor, o pequeno Santos Dumont (1873-1932) vislumbrava a mecânica e a ciência dos tempos do porvir, como conta em seu livro” (linhas 18 e 19) sugere que Santos Dumont se inspirava, já durante a juventude, nas obras de Júlio Verne.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



