Língua PortuguesaPonto e vírgula e dois-pontosIBADE 2026
CRO MA
Questão de Língua Portuguesa
A saga do print: quando a conversa vira prova O primeiro print nasce inocente. Ele aparece como quem diz: "Só vou registrar, por garantia." O segundo print já nasce com intenção. O terceiro é praticamente um documento. E, quando você vê, a conversa virou processo. Tudo começou com uma mensagem no grupo do setor, num fim de tarde que já cheirava a cansaço: — Pode enviar hoje? Três palavras. Nenhum complemento. Pode enviar o quê? Para quem? Hoje, que horas? Mas a mensagem tinha um detalhe perigoso: o ponto de interrogação. Ponto de interrogação, em ambiente de trabalho, não pergunta só. Ele cobra. Eu respondi: — Consigo até 18h. Aí veio outra mensagem: — Ok. Sem emoji, sem ponto, sem nada. Um "ok" que podia significar concordância, alívio ou julgamento. O "ok" é o camaleão do escritório. Às 18h02, eu enviei o arquivo e escrevi: — Enviado. Cinco minutos depois, uma colega me chamou no privado: — Você viu o que ele mandou no grupo? Abri o grupo e vi um print. Um print meu. Um recorte da conversa, com o meu "Consigo até 18h" e o "ok" dele. Só que, no print, não aparecia o envio do arquivo. Nem aparecia a hora. Nem aparecia a pergunta anterior. O print era perfeito do jeito que uma meia-verdade sabe ser: pequeno, limpo e convincente. A legenda do print dizia: "Mais uma vez prometeu e não entregou." Eu li e senti meu estômago virar arquivo compactado. O problema do print é que ele parece prova absoluta. Ele não grita, não xinga, não se contradiz. Ele só mostra. E mostrar, sem contexto, é um tipo de poder. Eu fiz o que todo assistente administrativo aprende cedo: fui atrás do histórico. Apontei data, hora e sequência. Peguei meu próprio print, agora completo, com a pergunta anterior, o meu compromisso, o envio do arquivo e o "Enviado". Coloquei tudo numa linha do tempo mental, porque o escritório ama linhas do tempo. Enviei para a colega: — Olha a sequência completa. Ela respondeu: — Entendi. Mas já espalharam. Espalhar. A palavra que transforma um mal-entendido em reputação. IBADE No dia seguinte, na reunião, o coordenador abriu com aquela frase que tenta parecer neutra: — Precisamos falar sobre alinhamento de entregas. Eu ouvi "alinhamento" e soube que alguém tinha promovido meu print a pauta. Ele projetou o print na tela. O recorte. O pedaço. O meu "Consigo até 18h" preso no aquário do "ok". — Isso aqui não pode acontecer. Eu respirei e fiz o que ninguém gosta de fazer em reunião: pedi a palavra com calma. — Posso mostrar a conversa completa? Houve um silêncio pequeno. Não era silêncio de permissão. Era silêncio de resistência. Porque contexto dá trabalho. Recorte é mais rápido. Projetei meu print completo. E a sala viu, pela primeira vez, o que o print recortado escondia: a pergunta anterior e o envio às 18h02. O coordenador pigarreou e disse a frase mais humana do mundo corporativo: — Ah. Certo. O "Ah. Certo." é a forma elegante de pedir desculpa sem pedir desculpa. A reunião seguiu. O assunto mudou. Mas eu fiquei pensando numa coisa: print não é mentira. Print é seleção. E seleção é poder. No fim do dia, eu organizei minha pasta de trabalho e criei uma subpasta chamada "Evidências". Não por paranoia. Por aprendizado. Porque, no escritório, às vezes você não precisa fazer mais. Você precisa registrar melhor. E, principalmente, precisa lembrar que comunicação não é só o que foi dito. É o que ficou fácil de provar. Fonte: Banca Examinadora
No período "Mas eu fiquei pensando numa coisa: print não é mentira.", os dois-pontos introduzem:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


