Língua PortuguesaPonto final, reticências, interrogação e exclamaçãoCMR 2022
CMR
Questão de Língua Portuguesa
Texto 1 As mãos que liam Minhas amiguinhas (...) tinham uma novidade para me contar: – Enquanto você estava doente, apareceu na aldeia uma moça que sabe ler as palavras com a ponta dos dedos. – Como? – perguntei incrédula e, ao mesmo tempo, desapontada por não ter sido a primeira a descobrir o fato. – É isso mesmo. Ela lê com as mãos. Todas as terças-feiras ela vai à igreja para contar a História Sagrada para as crianças do catecismo. Você quer ir? Na terça-feira, fomos em bando até a igreja e nos sentamos nos primeiros bancos. Ali fiquei eu, com o coração ansioso, à espera da moça que recolhia as palavras com as mãos, como se fossem frutos maduros das árvores. De súbito, ela entrou. Caminhava devagarinho pelo corredor, apoiada em uma bengala (...). Tinha uma expressão bondosa, mas distante, posta no vazio. Olhava-nos, mas não nos via. Abrindo um enorme livro, realizou o milagre. Eu a vi, então, tocando com os dedos as folhas brancas, inteiramente brancas, sem nenhuma palavra desenhada, só com alguns pontinhos em relevo, como cabeças de alfinete. Ela decifrava o papel com as mãos assim como eu decifrava com os olhos os livros do meu avô astrônomo. E foi para esse avô que eu fui contar correndo a novidade. Ele, porém, não se espantou. Era um homem que lia muito, que sabia muito, embora nunca saísse da aldeia. Ele viajava nos livros. (Será que também lia com os dedos, quando ninguém estava vendo?) – Fortunatella, como essa moça é cega, aprendeu a ler de maneira diferente das pessoas que podem enxergar. Cada monte de pontinhos daqueles é uma letra. E uma reunião de pontinhos é uma palavra. Caminhando com os dedos sobre esses montinhos, ela vai decifrando as frases. Eu estava perplexa: – E quem ensinou essa moça a ler desse jeito? – Não sei, Fortunatella, não sei. Na aldeia, isso é novidade. Mas quem inventou esse jeito de ler foi um cego que morreu na França há mais ou menos quarenta anos. Quarenta anos era uma eternidade, que eu nem sabia calcular. E a França devia ser um reino encantado onde as pessoas – que maravilha! – aprendiam a ler sem enxergar. – Vovô Leone, eu também quero ler com as mãos. É mais bonito do que com os olhos! – Não diga isso, Fortunatella. Enxergar é uma bênção. Mas, se você quiser, pode aprender a ler o mundo com os dedos, sim. Você tem tato: toque, apalpe, sinta. Fiquei olhando vovô Leone, admirada da sua sabedoria. (...) LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. São Paulo: FTD, 1987. 2022/2023 Página Visto do Diretor de Ensino do CMR
No excerto: “E a França devia ser um reino encantado onde as pessoas – que maravilha! – aprendiam a ler sem enxergar” (linhas 28 e 29), o uso do ponto de exclamação expressa:
Mais questões de Ponto final, reticências, interrogação e exclamação
- Legalle 2026O título da charge apresenta uma palavra seguida de reticências. Considerando o cenário ilustrado, assinale a afirmação CORRETA sobre o emprego desse sinal de pontuação.
- Ganzaroli 2026No fragmento “DOR DE CABEÇA?” o sinal de pontuação utilizado indica uma pergunta direta. Esse sinal é:
- Avança SP 2026Marque a alternativa em que a frase é interrogativa indireta, usada para fazer uma pergunta, mesmo sem o sinal de interrogação.
- Instituto Verbena 2026O uso das reticências, na fala do menino, contribui para a construção de sentido da charge, pois
- UNESC 2026No trecho "− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter colado os pedacinhos no chão e recomeçado...", as reticências ao final da frase cumprem uma função expressiva. C…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


