Língua PortuguesaInterpretação de textosMarinha 2025
Marinha
Questão de Língua Portuguesa
COBRANÇA Ela abriu a janela e ali estava ele, diante da casa, caminhando de um lado para outro. Carregava um cartaz, cujos dizeres atraíam a atenção dos passantes: "Aqui mora uma devedora inadimplente." - Você não pode fazer isso comigo - protestou ela. - Claro que posso - replicou ele. - Você comprou, não pagou. Você é uma devedora inadimplente. E eu sou o cobrador. Por diversas vezes tentei lhe cobrar, você não pagou. - Não paguei porque não tenho dinheiro. Esta crise... - Já sei - ironizou ele. - Você vai me dizer que por causa daquele ataque lá em Nova York seus negócios ficaram prejudicados. Problema seu, ouviu? Problema seu. Meu problema é lhe cobrar. E é o que estou fazendo. - Mas você podia fazer isso de uma forma mais discreta... - Negativo. Já usei todas as formas discretas que podia. Falei com você, expliquei, avisei. Nada. Você fazia de conta que nada tinha a ver com o assunto. Minha paciência foi se esgotando, até que não me restou outro recurso: vou ficar aqui, carregando esse cartaz, até você saldar a sua divida. Neste momento começou a chuviscar. - Você vai se molhar - advertiu ela. - Vai acabar ficando doente. - Ele riu, amargo: - E dai? Se você está preocupada com a minha saúde, pague o que deve. - Posso lhe dar um guarda-chuva... - Não quero. Tenho de carregar o cartaz, não um guarda-chuva. Ela agora estava irritada: - Acabe com isso, Aristides, e venha para dentro. Afinal, você é meu marido, você mora aqui. - Sou seu marido - retrucou ele - e você é minha mulher, mas eu sou cobrador profissional e você é devedora. Eu a avisei: não compre essa geladeira, eu não ganho o suficiente para pagar as prestações. Mas não, você não me ouviu. E agora o pessoal lá da empresa de cobrança quer o dinheiro. O que você quer que eu faça? Que perca meu emprego? De jeito nenhum. Vou ficar aqui até você cumprir sua obrigação. - Chovia mais forte, agora. Borrada, a inscrição tornara-se ilegível. A ele, isso pouco importava: continuava andando de um lado para o outro, diante da casa, carregando o seu cartaz. SCL1AR, Moacyr. O imaginário cotidiano. São Paulo: Global, 2001. Prova: Amarela Praças - Nível Fundamental
Em "Ela abriuª janela e ali estava ele [...]" (1° §), o termo em destaque pertence à mesma classe gramatical da palavra destacada em:
Mais questões de Interpretação de textos
- CMRJ 2027Os textos I e II tratam os smartphones como os itens da contemporaneidade que têm levado as pessoas em geral a lidar (ou a não saberem lidar) com o hábito cotidiano. Que fragmento…
- CMRJ 2027No subtítulo o autor lança uma pergunta: “Quando é a hora de desligar?”. Considerando o contexto em que foi usada, trata-se de um convite à reflexão que, na prática, vai lidar com…
- CMRJ 2027Na crônica de Veríssimo, o título chama a atenção para uma expressão, usada ao final, em uma exemplificação que
- CMRJ 2027Qual é a crítica presente na charge (Texto V) e como o elemento verbal é inserido?
- CMRJ 2027Considere o fragmento: “Infelizmente, não posso pregar. Eu também faço parte do clube que prefere o smartphone ao velho e bom cochilo.” (l. 11-12). Para que se estabeleça uma rela…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.