Questões de Língua Portuguesa · CPCON

Língua PortuguesaPonto e vírgula e dois-pontosCPCON 2022

UEPB

Questão de Língua Portuguesa

O artigo de opinião abaixo serve de base para responder às questões 09 e 10: Com tantos serviços prestados aos maiores nomes da literatura, o sinal é contraponto em tempos de extinção. Mario Sergio Conti 27.mai.2022 às 14h00 O ponto e vírgula corre risco de extinção: o simpático sinal de pontuação não foi usado nos últimos três dias na Folha. Até os colchetes, mais afeitos à linguagem matemática, apareceram; ponto e vírgula que é bom, nenhunzinho. Em contrapartida, abundam os pontos de exclamação, enterrados no jornal pelo bate-estaca de colunistas fanfarrões. Sem argumentos, e de maus bofes, infligem seu ponto de vista aos gritos: "Quem entende disso sou eu, sua anta! Vê se te manca!". Adicione-se ao estrondo exclamativo o ponto final por extenso e, pronto, eis Bolsonaro, o Mandão. "E ponto final!" urra ele após excretar meia dúzia de mentiras, barrando no berro qualquer diálogo. O ponto de exclamação impõe ordem unida, sujeita. Escasseiam também as reticências, irônicas ou não; o travessão, que abre uma fala ou completa o escrito; até os parêntesis, que encapsulam outro sentido, como faz Drummond em "(não cantarei o mar: que ele se vingue de meu silêncio nesta concha)". O emprego cada vez mais rarefeito de sinais de pontuação significa algo? Perguntar isso não é procurar pelo em ovo? Afinal, pontos e vírgulas são ciscos que, ao se soltarem da casca imaculada do texto-ovo, entram no olho e atrapalham a leitura... A pontuação é uma forma histórica. Os livros de Aristóteles, Platão e da Bíblia não tinham pontuação; nem minúsculas; nem espaço entre as palavras! Deus não escrevia certo por linhas tortas; escrevia embolado. O evangelho de João começava assim: NOPRINCÍPIOERAOVERBOEOVERBOESTAVAEMDEUSEOVERBOERADEUS. Foi com tijolos textuais como esse que se construiu o saber ocidental. Porque, como disse Aristóteles, OHOMEMÉUMANIMALPOLÍTICO. Gregários, os homens adotam convenções para se comunicar e mudar; mudar inclusive as convenções. Foi o que fezAldus Manutius, o editor veneziano que, em fevereiro de 1494, inventou o ponto e vírgula. Quem conta sua história é a professora Cecelia Watson, num livro delicioso, "Semicolon: Past, Present, and Future of a Misunderstood Mark" (Ecco Press, 224 págs.). PÁGINA 07 P S S UE P B 0 0 2 / 2 0 2 2 - AUX . ADMI N Renascentista, Manutius queria popularizar o conhecimento. Não havia padronização nem academias que policiassem o idioma. Era uma algazarra. Cada um pontuava como lhe desse na telha. Ao publicar "O Etna", ensaio em forma de diálogo sobre o vulcão, de autoria do cardeal Pietro Bembo, Manutius teve a divina ideia de captar a elocução do distinto prelado. Criou o símbolo gráfico que marca pausa maior que a da vírgula e menor que a do ponto. Com a obra pronta, vieram as regras: o ponto e vírgula separa orações numa mesma frase; organiza listas; economiza conectivos (e) ou adversativas (mas). Permaneceu perene, porém, o preceito básico —registrar um silêncio específico, advindo da linguagem oral. A engenhoca de Manutius ganhou o mundo. "Moby-Dick" tem 4.000 pontos e vírgulas, informa Cecelia Watson, "um a cada 52 palavras". Machado deAssis, mais comedido e certeiro, mereceria o título de mestre do ponto e vírgula na periferia do capitalismo. Henry James não escrevia sem ter ao lado da escrivaninha um barril de pontos e vírgulas. Chegou a inverter a ordem de importância entre pontuação e palavras. Numa rara entrevista, ao Times, insistiu para que o repórter anotasse sua "pontuação, bem como as palavras". A coisa mudou no século passado. Orwell, Barthelme, Chandler e tantos outros desprezaram o miniponto de Manutius. Vonnegut teve o topete de dizer que pontos e vírgulas são "hermafroditas que não representam absolutamente nada". É meio assim no Brasil. Nos seis contos exímios que Dalton Trevisan publicou e distribuiu no início do ano, num livreto de 32 páginas, não há um único ponto e vírgula. Dalton deixa que seus personagens e leitores deem uma paradinha onde bem entenderem. CONTI, Mario Sergio. Como o bigode, que está em desuso, ponto e vírgula é espécie em extinção. Folha de São Paulo, São Paulo, 27 mai. 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2022/05/como-o-bigode-que-esta-em-desuso-ponto-e-virgula-e-especie-em-extincao.shtml. Acesso em: 02 jul. 2022.

Analise as assertivas abaixo como (V) verdadeiras ou (F) falsas ( ) Conti considera que o ponto e vírgula está entrando em desuso. ( ) O texto, critica as regras gramaticais que regem a pontuação. ( ) O texto reflete sobre a língua em uso através do emprego do ponto e vírgula. ( ) O texto reforça o caráter convencional da pontuação, mas assevera que até as convenções podem mudar. ( ) O ponto e vírgula não tem nenhuma relação com uma convenção da linguagem oral: marcar silêncios específicos. Marque a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:

Sua resposta

Mais questões de Ponto e vírgula e dois-pontos

Ver as 1.104 questões de Ponto e vírgula e dois-pontos

Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.