Questões de Língua Portuguesa · Marinha

Língua PortuguesaOração sem sujeito e verbos impessoaisMarinha 2022

Marinha

Questão de Língua Portuguesa

Fronteiras Tenho refletido sobre fronteiras. Sobre a linha tênue e imprecisa que divide realidade e sonho, sanidade e loucura. E me vêm à mente duas histórias. A primeira é narrada por Otto Friedrich em seu livro "Goingcrazy" (Enlouquecendo). Ele diz que andava um dia pelas ruas de Nova York a caminho do traba_lho - como fazia todas as manhãs - quando de repente, diante de um cruzamento, parou, assaltado por uma sensação desconhecida. Era algo avassalador, a impressão exata de que algo se rompera, seguida de uma se~sação de impotência e pânico. Ficou ali na calçada, paralisado, sem saber o que se passava. Demorou alguns segundos até compreender. . . Como fazia o mesmo percurso todos os dias, fazia anos costumava andar totalmente desligado, imerso em seus' pensamentos, no "piloto automático". Ocorre que, naquele dia, se deparara de repente com um sinal de trânsito quebrado - um elemento estranho à sua rotina. E aquela "ruptura" provocara uma espécie de curto-circuito em seu cérebro, justamente por estar num estágio de semi-consciência, tal a sua distração. o sinal quebrado provocara uma pane em seu sistema de percepção. Fora coisa rápida, não mais do que alguns segundos. Mas o que o perturbava. era. p~rceb_er que, naqueles instantes, vivera numa fronteira: estivera. à beira do que se convencionou chamar "loucura". . A outra história é narrada · pelo antropólogo americano Loren Eisely no livro "O despertar dos mágicos", de Louis Pauwels e Jacques Bergier. Ei_sely conta que caminhava a pé um dia por uma estradinha perto de sua casa, em meio a uma densa neblina. la devagar mal conseguindo enxergar o caminho, quando de repente,' a poucos palmos de seu rosto, surgi_u a figura de um pássaro voando, que por pouco não se chocou com ele, em meio a um piado horrlvel e .a um farfalhar de asas. Era um corvo. . .. E Eisely diz que jamais, enquanto viver; · se esquecerá da expressão que viu nos· olhos daquele pássaro. Era terra\ que havia neles. O antropólogo passou o resto do dia impressionado, sem entende(, o q~~ se~ rosto tinha de feiura para provocar um ólhaf'Como aquele: Até que compreendeu: com certeza, com 'a' •neblina; o pássaro julgava estar voando alto. E de repente se vi'.a u~ homem no céu. 'Um homem que atravessara'a',fronte1ra do plausível e· caminhava nó ar, pelo' mundo' d~s .~ervas. Aquela era uma visão aterradora. . · ·· · .. · · · E Eisely se diz convencido de que aquele instante transformou o corvo para sempre: "Agora, quándo_ me vê; lá do alto solta pequenos gritos e reconheço nesses 'gritos a incerte;a de um espírito cujo universo foi abalad9. Já não é nunca mais será como os outros corvos'"· · · Assi~ são as fronteiras. · ·· ' · Alguém· já disse que os · escritores' 'são personalidades fronteiriças. Fala-se pouco' d_isso, e · é verdade. Nós, assim como talvez os atores,_vIvemos no limite entre dois mundos, caminhandó so~re o fio da lâmina podendo resvalar a qualquer momento para um dos lados. Sofremos de urna espécie dê' esquizofrenia ' quase sempre benigna. · ·. ·· · •. ·· · · Prova: Amarela ,·· · Língua Portuguesa e. Formação Militar •Naval• - ·-Nível, Médio SEIXAS, Heloisa. Fronteiras. 17 de setembro de 2000. Disponível em https://heloisaseixas.com.br/contos-minimos/2000- 2/ (Com adaptações)

Prova: Amarela Língua Portuguesa e Formação Militar Naval - Nível Médio

Correlacione as categorias quanto á organização/classificação sintática dos termos/orações sublinhados nos trechos informados abaixo e assinale a opção correta. ORGANIZAÇÃO 1- Oração subordinada substantiva objetiva direta li- Oração com Sujeito Oculto Ili- lndice de indeterminação do sujeito IV- Oração sem sujeito V- Partícula apassivadora ( ) "[... ] E de repente se vira um homem[... ]" (6§) ( ) "[... ] Fala-se pouco disso,[... ]" (8§) ( ) "[... ] Ele diz que andava um dia[... ]" (2§) ( ) "[... ] Ficou ali na calçada, paralisado[... ]" (2§) ( ) "[... ] Assim são as fronteiras." (7§) ( ) "[... ] percurso todos os dias, fazia anos, [... ]" (3§)

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