Língua InglesaCoesão referencial e lexicalCETAP 2011
Pref Marabá
Questão de Língua Inglesa
Por que ficamos gordos "É preciso considerar o significado da saciedade para nós e o uso que o mercado faz disso" Quem vai aos Estados Unidos depara necessariamente com a fat misery, obesidade mórbida - literalmente, miséria gorda. Passo de quem teme se desequilibrar, corpo precedido pela barriga, antebraços afastados das pernas e mãos como abanos, a vítima dessa forma de miséria cruza o tempo todo o seu caminho. Na rua, no restaurante, no elevador. Pode causar horror ou pena, por se tratar de um ser humano tão aberrante quanto frágil. Quase 30% dos americanos são obesos e a fat misery sextuplicou nos Estados Unidos nos últimos vinte anos. Pela primeira vez na história, a nova geração viverá menos do que a geração dos pais. Corre o risco de morrer precocemente de hipertensão, arteriosclerose, infarto, além de estar mais exposta ao câncer. Assim como a de lá, a população do Brasil fica cada dia mais gorda. Quase metade dos brasileiros está acima do peso. Ainda que os livros sobre dieta, ao menos os da categoria de autoajuda, frequentem a lista dos mais vendidos, não existe uma reflexão séria sobre o assunto, tampouco há uma política de saúde consequente que se oponha aos efeitos nefastos da indústria da alimentação. Uma reflexão séria não se limita ao estudo dos hábitos alimentares, ao estabelecimento das relações entre o aumento do consumo de comida e a diminuição do seu preço, por exemplo. Uma reflexão séria considera o significado da sociedade para nós e o uso que o mercado faz disso. Com exceção da cultura francesa, que privilegia a degustação, o resto do Ocidente induz a comer até que se sinta o estômago cheio, ou seja, valoriza a saciedade. E é com essa valorização que a indústria conta para se desenvolver, fazendo pouco dos imperativos da saúde. Não é preciso se saciar para estar nutrido. Pelo contrário. Os nutricionistas inclusive ensinam a sair da mesa com um pouco de fome. A cultura alimentar do glutão resulta de uma conduta perversa em relação ao corpo. Perversa porque desrespeita a lei do corpo, que é biológica. Noutras palavras, o glutão faz do prazer a única lei do seu desejo. Visa somente ao prazer imediato e negligencia o estrago provocado pelo excesso de comida. Ensinar a contenção é tão importante quanto acabar com a fome. Quem se entrega à gula e cultiva a desmesura não come para viver. Na verdade, morre pela boca. Exatamente como o peixe, que morre por abocanhar a isca. Além da doença, a comida continuamente abocanhada - ou seja, ingerida em demasia e à revelia dos efeitos que acarreta - provoca o envelhecimento precoce. Quem quer viver tem de cuidar para não cair na esparrela da comida. Porque, como a bebida ou a droga, ela pode matar. (Fonte: MILAN, Betty. Veja. Ed. 2189).
O pronome pessoal em: "Porque como a bebida ou a droga, ela pode matar." (5° parágrafo) é anafórico de:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
