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Questões de Língua Portuguesa · DIRENS Aeronáutica

Língua PortuguesaInterpretação de textosDIRENS Aeronáutica 2021

AFA

Questão de Língua Portuguesa

5 O “homem cordial”, resultado de um cruzamento entre a 36 - Assinale a alternativa cuja concordância pode ser feita das cultura colonial e o improviso de um país para sempre inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário; adora obter vantagens em tudo, detesta regras, vive em busca de atalhos favoráveis; não vê problema no que faz de errado, 10 embora seja raivoso na hora de apontar os erros dos outros. Variação muito mal-humorada de um tipo único de homo brasiliensis, o “homem cordial” é avesso ao esforço metódico e à concentração; prefere o circunstancial, a moda do momento e o jeito mais rápido de conquistar aquilo 15 que deseja. Adepto do “curtir a vida adoidado”, o homo brasiliensis encarnado no “homem cordial” sofre muito diante de compromissos que exijam dispêndio de energia e tempo – na cultura humana do juro, opta sempre por curtir duas formas indicadas na opção, sem infringir as regras da Língua Portuguesa. a) “...salve-se / salvem-se quem-puder, o apelo a saídas pessoais...” (•. 27 e 28) b) “...uma das maiores contribuições já realizadas / realizada para a compreensão do Brasil...” (•. 3 e 4) c) “A impessoalidade no trato, as regras universais, a ética, (...), nada disso agrada / agradam ao ‘homem cordial’” (•. 21 a 25) d) “Creio que a atualidade da ideia de ‘homem cordial’ salta / saltam aos olhos de quem observa...” (•. 32 e 33) hoje e pagar amanhã, em vez de investir agora para 37 - Quanto à pontuação, assinale a alternativa que apresenta uma 20 saborear depois por tempo indeterminado e mais tranquilo. A impessoalidade no trato, as regras universais, a ética como parâmetro para a tomada de decisões, o antever dos desdobramentos de sua ação sobre a vida e o planeta, o incentivo ao fortalecimento de instituições públicas e 25 sociais, nada disso agrada ao “homem cordial”, que não esconde amar o familiarismo nas relações sociais, as regras particulares, a moral privada, o “salve-se quempuder”, o apelo a saídas pessoais diante de problemas e questões que são, de superfície e de fundo, coletivas. Em 30 1936, Sérgio Buarque de Holanda apontava esses traços culturais brasileiros como uma barreira intransponível para a democracia. E hoje? Creio que a atualidade da ideia de “homem cordial” salta aos olhos de quem observa com interesse o país. Resta saber o tamanho desse malfazejo 35 espólio. (Fonte: Marco. A .Rossi. Acesso 10/01/2013 às 12:30 p.m http://travessia21.blogspot.com.br/2013/01/o-homem-cordial.html.) 33 - Analise as afirmativas sobre o texto I. análise INCORRETA do trecho dado. a) “...nada disso agrada ao ‘homem cordial’, que não esconde amar o familiarismo nas relações sociais...” (•. 25 e 26) – A vírgula utilizada antes do pronome indica que todos os homens cordiais não escondem amar o familiarismo nas relações sociais. b) “E hoje? Creio que a atualidade da ideia de ‘homem cordial’ salta aos olhos de quem observa com interesse o país.” (•. 32 a 34) – O ponto de interrogação introduz um questionamento retórico, já que o próprio autor deduz a resposta. c) “Nele está contida a ideia de ‘homem cordial’, uma das maiores contribuições já realizadas para a compreensão do Brasil e dos brasileiros.” (•. 2 a 4) – A vírgula poderia ser substituída por travessão. d) “O ‘homem cordial’, resultado de um cruzamento entre a cultura colonial e o improviso de um país para sempre inacabado, é afetuoso, interesseiro e autoritário;” (•. 5 a 7) – A vírgula antes do adjetivo “afetuoso” é de emprego facultativo. I. Ao afirmar que o “homem cordial” é fruto de um 38 - Leia o seguinte excerto do texto I e, em seguida, analise as “cruzamento” (•. 5), o autor refere-se à mistura entre a cultura brasileira e as estrangeiras. II. A conjunção “embora” (•. 10) conecta enunciados que demonstram um traço contraditório no comportamento do “homem cordial”. III. A citação do livro “Raízes do Brasil” configura, no texto, o que se denomina “argumento de autoridade”, com a finalidade de conferir peso aos argumentos de Marco Rossi. IV. Predomina no texto uma postura crítica do autor que, questionando os limites da tese de Sérgio Buarque, aponta para um novo tipo de homem cordial. Está correto o que se afirma apenas em a) I e II b) II e III c) I e IV d) III e IV 34 - Assinale a alternativa em que todos os adjetivos podem ser utilizados para descrever o “homem cordial”, conforme é caracterizado no texto I. a) Oportunista, irresponsável e hipócrita. b) Imediatista, precavido e egocêntrico. c) Compenetrado, ardiloso e criativo. d) Meticuloso, simpático e farrista. afirmativas apresentadas: “...o ‘homem cordial’ é avesso ao esforço metódico e à concentração; prefere o circunstancial, a moda do momento e o jeito mais rápido de conquistar aquilo que deseja.” (•. 12 a 15) I. A reescrita “... o ‘homem cordial’ prefere o circunstancial, a moda do momento e o jeito mais rápido de conquistar aquilo que deseja ao esforço metódico e à concentração...” preserva o sentido original e atende à norma padrão da língua. II. As aspas foram utilizadas nesse excerto, assim como nas linhas 1, 3 e 5 do texto, para ressaltar o valor pejorativo da expressão e indicar a ironia de Marco A. Rossi, autor do texto. III. Os termos “ao esforço metódico” e “à concentração” complementam o sentido do adjetivo que exerce função sintática de predicativo do sujeito; já os termos “o circunstancial”, “a moda do momento” e “o jeito mais rápido...” complementam o sentido de um verbo transitivo direto. Está correto o que se afirma apenas em a) I, II e III b) I e III c) II d) III Raul Marinho Gregorin Você se lembra daquele célebre comercial do cigarro Vila Rica, onde nosso tricampeão Gérson falava a famosa frase: “...Porque você tem que levar vantagem em tudo, cerrrto?”. A frase teve tanto 5 impacto que acabou sendo criada a “Lei de Gérson”, que simboliza o oportunismo e a falta de escrúpulos típicas de uma grande parcela de nossa sociedade. (...) Concordo que nossa postura oportunista realmente contribui para nos manter neste estado de 10 atraso econômico e cultural em que vivemos. Só que a “Lei de Gérson”, na verdade é muito mais antiga que o próprio. No excelente livro “Mauá, Empresário do império”, de Jorge Caldeira (Ed. Companhia das Letras), percebe-se que há quase duzentos anos atrás esta lei já 15 era cumprida. Aliás, essa deve ser a lei mais antiga do Brasil, pois desde as capitanias hereditárias nossa história é pontilhada de exemplos de oportunismo e falta de escrúpulos. A própria escravidão não deixa de ser uma mostra do viés ético de nossa sociedade desde 20 tempos imemoriais, mas isso já é outra história. Eu não conheço a biografia do Gérson, muito menos do publicitário que criou a frase e o comercial do Vila Rica. Mas acho muito improvável que o Gérson real seja um oportunista sanguinário como ficou sendo sua 25 imagem. Nem acredito que o diretor de criação da agência poderia imaginar que esta frase seria usada mais de vinte anos depois para designar esta nossa característica. Nossa língua é ferina. Quando a Volkswagen 30 lançou o Fusca com teto solar no final da década de ‘60’, as vendas despencaram depois que passou a ter a conotação de “carro de chifrudo”. A VASP na década de 70 criou um voo noturno ligando São Paulo ao Guarujá para atender aos executivos que deixavam suas famílias 35 no balneáreo e passavam a semana trabalhando na capital. O nome do voo era “Corujão” devido ao horário. Não demorou muito, o voo passou a ser apelidado de “Cornudão”, pelo fato das esposas ficarem na praia enquanto os maridos ficavam na cidade. A VASP teve 40 que cancelar a linha por falta de passageiros. E óbvio que a VW tinha introduzido o teto solar baseado no fato do Brasil ser um país quente e ensolarado, perfeito para aquele opcional. Só que o consumidor preferia ficar passando calor a ser visto 45 dirigindo um carro com um buraco no teto para “deixar os chifres de fora”. O voo corujão era perfeito, especialmente na época em que não havia Piaçaguera e, para chegar ao Guarujá de carro na alta temporada, o motorista tinha que enfrentar horas de fila na balsa. Mas 50 era melhor demorar oito ou dez horas de carro do que ir de avião, em meia hora, num voo chamado “Cornudão”... Com o comercial do Gérson foi a mesma coisa. Levar vantagem em tudo não significa que os outros tem que levar desvantagem. O oportunismo foi incorporado à 55 frase por quem a leu/ouviu, não por quem a escreveu/disse. O problema é que passou a ficar (para usar um conceito atual) “politicamente incorreto” levar vantagem em alguma coisa. Na verdade, parece que nossa sociedade se 60 divide em dois grandes blocos: um que leva vantagem em tudo (no sentido pejorativo) e outro que não pode levar vantagem em nada. Acontece que dá para levar vantagem em tudo sem fazer com que os outros saiam em desvantagem. Você não precisa esmagar a outra 65 parte para sair ganhando. (http://www.geocities.ws/cp_adhemar/leidegerson.html. Acesso em: 10 abril 2017. Texto revisado conforme a nova ortografia.) VERSÃO A 13

A partir da leitura do texto II, é correto afirmar que

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