Questões de Língua Portuguesa · COPS UEL

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Questão de Língua Portuguesa

Casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre 2013 e 2024 A projeção mais recente do Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil, sendo 99 mil de mama feminina, 71 mil de cólon e reto, 32 mil de pulmão e 31 mil de próstata. Evolução dos casos entre 2013 e 2024 (Brasil) Ano Casos registrados Variação acumulada 2013 45.506 2016 49.024 2019 155.655 2022 174.565 2024 174.938 – +7,7% +242% +283% +284% (DataSUS / Painel Oncologia BR – faixa etária de 18 a 50 anos.) Especialistas ouvidos pelo g1, porém, alertam que o problema é ainda maior do que as estatísticas mostram: o Brasil não tem dados completos da saúde suplementar, e parte expressiva dos casos pode estar oculta nos planos privados, sem notificação oficial. “Toda política de saúde depende de dados, e hoje eles são frágeis”, afirma Stephen Stefani, oncologista do grupo Oncoclínicas e da America’s Health Foundation. “Na saúde suplementar, a notificação não é compulsória. Então o país subestima a real dimensão do problema.” A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou à reportagem que não é possível medir a incidência de câncer na rede privada, responsável por aproximadamente 25% da cobertura populacional, porque desde 2010 uma decisão judicial impede o uso da Classificação Internacional de Doenças (CID) nas bases das operadoras. O Ministério da Saúde tampouco possui dados que contemplem todo o sistema – apenas estimativas trienais. O Inca afirma que a projeção mais recente, referente ao triênio 2023-2025, estima 704 mil novos casos de câncer por ano no Brasil. O órgão diz ainda que os dados do DataSUS, compilados pelo g1, não são estimativas oficiais e “podem criar uma superestimação da realidade”. Tipos de câncer mais incidentes entre adultos de até 50 anos Tipo de câncer Casos (2013-2024) Mama (C50) 219.449 Colo do útero (C53) 105.269 Colorretal (C18-C20) 45.706 Estômago (C16) 38.574 Fígado (C22) 26.080 Observações Mais prevalente entre mulheres; aumento expressivo na última década. Associado à baixa adesão à prevenção e ao rastreamento. Em crescimento; ligado ao estilo de vida e à alimentação. Mantém incidência alta em regiões com dieta rica em sal e ultraprocessados. Relacionado ao consumo de álcool, hepatites e obesidade. (DataSUS / Painel Oncologia BR – faixa etária de 18 a 50 anos.) Entre os tumores que mais crescem na faixa de até 50 anos, o colorretal – que inclui os de cólon, reto e canal anal – é um dos que mais preocupam os médicos. De acordo com dados do DataSUS, os diagnósticos passaram de 1.947 em 2013 para 5.064 em 2024, um crescimento de 160% no período. “É uma doença de estilo de vida. Só 5% dos casos são hereditários; mais de 90% têm relação com alimentação, sedentarismo e obesidade”, explica Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center e diretor do programa de Residência Médica. Segundo o médico, o aumento ocorre justamente em uma geração exposta desde a infância a dietas industrializadas, excesso de gordura corporal e pouco movimento físico. Outro fator que justifica o boom é a baixa adesão ao rastreamento precoce, já que a colonoscopia, principal exame de detecção, ainda é pouco realizada antes dos 50 anos. “Muitos pacientes jovens são diagnosticados em estágios avançados porque os sintomas são confundidos com hemorroidas ou alterações intestinais leves. Falta cultura de prevenção nessa faixa etária”, completa Aguiar. O fenômeno não é exclusivo do Brasil. Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine (2022) mostra que a incidência de câncer em pessoas com menos de 50 anos vem crescendo em todos os continentes, especialmente em países urbanizados e de renda média. As causas mais prováveis são o estilo de vida moderno, as mudanças na microbiota intestinal, o sono insuficiente e a exposição a poluentes desde cedo. “O fenômeno é global, mas no Brasil ele é agravado por desigualdade e diagnóstico tardio”, resume Stefani. A publicação alerta que, sem políticas públicas que integrem prevenção e acesso, o país pode repetir o padrão observado nos Estados Unidos e Reino Unido – onde os casos precoces já representam até 20% dos novos diagnósticos anuais. (Adaptado de: VESPA, T. Casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre 2013 e 2024. Disponível em: <https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/10/12/casos-de-cancer-em-jovens-adultos-de-ate-50-anos-aumentam-284percent- no-sus-entre-2013-e-2024.ghtml>. Acesso em: 23 out. 2025.)

Sobre as características do texto, considere as afirmativas a seguir. I. O texto preza pela informalidade, usando períodos curtos e orações indiretas, garantindo que prevaleça a linguagem conotativa. II. O texto apresenta uma linguagem formal e objetiva, de cunho informativo, contribuindo para a formação sociocultural da população. III. Os dados apresentados e as falas de especialistas envolvidos nos acontecimentos têm o intuito de ratificar ao leitor a veracidade do texto. IV. Trata-se de um texto de caráter temporal, focado em fatos reais e que traz um assunto relevante para o público-leitor. Assinale a alternativa correta.

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