Língua PortuguesaSignificação de palavras e expressões em contextoPRH-UEM 2014
UEM
Questão de Língua Portuguesa
OS ZOOLÓGICOS VALEM A PENA? 1 O envenenamento de dezenas de animais no Zoológico de São Paulo, a partir de janeiro, provocou uma discussão que divide aqueles que se dedicam a preservar a vida selvagem. É válido retirar um animal da natureza para expô-lo em áreas urbanas, longe de seu habitat? A questão é mais controversa ainda, levando-se em conta os contrastes notados diariamente entre instituições desse tipo no mundo e também no Brasil – algumas sem recursos, outras com trabalho exemplar. Confira a opinião de dois especialistas no assunto. NÃO! (Miriane de Almeida Fernandes, presidente da Associação dos Amigos dos Animais de Campinas (AAAC), entidade que mantém 2.500 animais) 2 “O simples fato de ver qualquer animal enjaulado já me causa arrepios. Mas os zoológicos são especialmente degradantes, porque sua função nada mais é do que saciar, à custa dos bichos, a satisfação humana. É verdade que, no passado, existiam argumentos duvidosos, mas talvez justificáveis. Com a ausência da televisão, da internet e de outros meios de comunicação, para que as pessoas pudessem conhecer um leão ou um elefante, por exemplo, poderiam fazê-lo apenas visitando um zoológico ou o seu habitat. Hoje, isso não é mais necessário, pois os meios de comunicação têm fartas matérias que propiciam conhecimento. Por isso, entendo que os zoológicos deveriam ter outras finalidades. Deveriam, por exemplo, preocupar-se em ensinar as pessoas a conhecer os animais dentro do seu próprio habitat. Deveriam contribuir com a fiscalização da nossa fauna, auxiliando na proteção dos animais que estiverem em risco de extinção. Deveriam também atuar como hospital veterinário para animais de grande porte, resgatados de circos ou ainda de traficantes de animais. Não é mais aceitável mantê-los em cativeiro para entretenimento dos seres humanos. É um ato de crueldade, cuja proporção somente pode ser avaliada se nos imaginarmos no lugar desses animais, presos em um espaço limitado e longe dos nossos amigos e familiares, por tempo indefinido e, principalmente, contra a nossa vontade”. SIM! (Luiz Roberto Francisco, biólogo, ex-diretor do Zoológico de Curitiba e atual consultor do Zoológico de São Paulo e de outras entidades) 3 “Há que se esclarecer que os zoológicos não retiram animais da natureza para simplesmente expô-los. Há tempos esse conceito mudou, e os zoos contemporâneos trabalham voltados à preservação e conservação das espécies. Os animais que chegam aos zoológicos brasileiros são quase todos oriundos de apreensões por órgãos fiscalizadores, porque a maior parte das espécies desse universo teve seu habitat fragmentado ou vem do tráfico de animais selvagens. Ver os zoológicos apenas como ‘prisão de animais’ é estar fora de sintonia com a realidade. Graças aos zoológicos, espécies como o condor-da-Califórnia (Gymnogyps californianus) ou o nosso mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), entre outras, têm uma chance de sobrevivência na natureza. Para esses e outros programas, as instituições envolvidas permutam animais importantes para seus programas de reprodução, buscando manter a maior diversidade genética possível. É óbvio que todos preferimos os animais em vida livre, mas a pressão ao meio ambiente é tal que a extinção para muitas espécies é questão de tempo. Quem não vê isso está parado no tempo. No Brasil, a Sociedade de Zoológicos do Brasil fomenta a pesquisa e a preservação das espécies, promovendo congressos, onde são compartilhadas novas técnicas de manejo e desafios. Não fosse esse um segmento sério, nada disso existiria. Por isso tudo, os zoológicos são a verdadeira esperança para as espécies ameaçadas de extinção.” Texto adaptado da Revista Os caminhos da Terra – para entender o mundo. São Paulo: Peixes, ano 12, n. 144, abr. 2004. p. 18.
Considere as seguintes afirmações quanto ao sentido das palavras no texto. I. No excerto “quase todos oriundos de apreensões” (terceiro parágrafo), a palavra em destaque poderia ser substituída por “proveniente”, sem prejuízo ao sentido do texto. II. No excerto “É óbvio que todos preferimos os animais em vida livre” (terceiro parágrafo), a palavra em destaque poderia ser substituída por “evidente”, sem prejuízo ao sentido do texto. III. No excerto “nada disso existiria” (terceiro parágrafo), o verbo em destaque poderia ser substituído pelo verbo “haver”, sem prejuízo ao sentido do texto. Agora assinale a alternativa correta.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

