Língua PortuguesaHipérbole, eufemismo e gradaçãoFAUEL 2017
CM 2 Vizinhos
Questão de Língua Portuguesa
Eu sei, mas não devia Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café 5 correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. (...) A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma. (Texto adaptado. COLASSANTI, Marina. A casa das palavras e outras crônicas. São Paulo: Ática, 2002.)
No segundo parágrafo, a autora utiliza a figura de linguagem chamada , pois apresenta uma sequência de informações que vão se intensificando continuamente. Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna.
Mais questões de Hipérbole, eufemismo e gradação
- NUCEPE UESPI 2026A frase Meu pai tem oitocentas cabeças de gado, apresenta:
- Legalle 2026No texto, ao mencionar que determinada expressão constitui um claro eufemismo, o autor chama atenção para um recurso expressivo da linguagem. Considerando esse contexto, assinale…
- FCC 2026Machado de Assis recorre à figura de retórica denominada gradação no seguinte verso:
- FGV 2026“Esta página, imaginamo-la sempre profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante e sem brilhos.” Nessa frase, o autor evitou usar expressões negativas ou agressivas…
- Vunesp 2026Para conferir expressividade ao que descreve no trecho “o peito é como um buraco negro que tudo atrai”, o eu lírico recorre à seguinte figura de linguagem:
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

