Língua PortuguesaInterpretação de textosCOMPEC UFAM 2024
UFAM
Questão de Língua Portuguesa
Considere, para responder às questões de 05 a 08, o excerto a seguir, extraído da obra de Mary del Priore: "Ao cabo do mundo": no início era o céu e a terra “Neste mesmo dia, à hora das vésperas, avistamos terra!”: era o dia 22 de abril de 1500, e um monte alto e redondo acusou solo novo no Atlântico meridional. Para os homens habituados a velejar ao norte do equador, o céu azul substituiu o esbranquiçado dos outonos e invernos. Em lugar dos campos cultivados, a capa verde da mata se espreguiçava ao longo das praias. O sol dourava a pele, em vez do astro frio que, salvo no verão, mal esquentava os corpos. Pássaros coloridos cruzavam os ares com sua música, diversa do grito estridente das aves marinhas. Do interior da massa verde de troncos e folhas se ouviam silvos, urros, sons de animais desconhecidos. A beleza da paisagem, que mais parecia uma visão do paraíso, interpelava os recém-chegados. No aconchego do abrigo mais tarde batizado de baía Cabrália, as caravelas deixavam para trás a fronteira entre o medo e a miragem: o Atlântico. Um caminho de águas que transportava homens, armas e mercadorias a serviço da ambição da monarquia católica de encontrar uma passagem para as cobiçadas Índias. Mas seria mesmo nova a terra que se avistava? Certamente não. Os espanhóis já conheciam suas regiões ao norte, e é de se perguntar quantas vezes emissários de d. João II, filho de d. Henrique, o Navegador, depois de chegar à Madeira e aos Açores, não teriam se aproximado das costas brasileiras. À sua maneira, os portugueses dominavam a extensão, a cor e as vozes do mar, que os convidava a olhar além do horizonte. E agora, superadas as dificuldades da viagem, eram recompensados pela atração do sol, da luminosidade e... do lucro possível. No início, para os aqui desembarcados, não era o Verbo, mas sim o nada. Apenas matas, medo e solidão. E um vasto litoral, desconhecido, que mais ameaçava do que acolhia. Um espaço aparentemente desabitado – a palavra já existia e designava o locus desérticos –, o lugar sem viva alma. Além das praias, o desconhecido gentio: 1ª Etapa escondido, armado e perigoso – e que, na maior parte das vezes, podia receber estranhos com uma chuva de flechas. E, no interior, terras incultas, cobertas de densas matas, difíceis de trabalhar. Frente à paisagem infinita, pairava a pergunta que lançara os portugueses à aventura ultramarina: que extraordinárias oportunidades os aguardavam? Fonte: Del Priore, Mary. Histórias da gente brasileira: volume 1: colônia. São Paulo: LeYa, 2016, p. 13.
O trecho acima faz parte do Capítulo 1, que, por sua vez, compõe a Parte 1 do livro, intitulada Terra e trabalho. Em relação ao seu conteúdo e à sua forma de composição, considere as afirmativas a seguir: I. A autora defende a tese de que as terras avistadas pelos velejadores retratados no texto eram novas, embora outros discordem dessa posição. II. No trecho "A beleza da paisagem, que mais parecia uma visão do paraíso, interpelava os recém-chegados", a autora se apropria, como recurso estilístico, de uma personificação. III. A autora – ao empregar, no título, a expressão "no início era o céu e a terra" e, mais adiante, "No início, para os aqui desembarcados, não era o Verbo, mas sim o nada" – dialoga, explicitamente, com o texto bíblico. Esse é um exemplo típico de intertextualidade. IV. Sabendo-se que é atribuída a Vasco da Gama a descoberta do caminho marítimo para as índias, em 1498, pode-se concluir que a passagem "Um caminho de águas que transportava homens, armas e mercadorias a serviço da ambição da monarquia católica de encontrar uma passagem para as cobiçadas Índias", é coerente no contexto do trecho transcrito. Assinale a alternativa CORRETA:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

