Língua PortuguesaEmprego dos porquêsLegalle 2025
Pref Caxias do Sul
Questão de Língua Portuguesa
O equívoco do IMC. Cada vez vejo mais médicos que consideram a obesidade uma doença. Em saúde pública, é preciso cuidado com generalizações desse tipo. O critério mais aceito para definir obesidade se baseia no IMC, calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado. Como consideramos obesas as pessoas com IMC igual ou superior a 30, essa faixa inclui um grupo muito heterogêneo, que vai dos que têm obesidade grau 1 (IMC entre 30 e 35) até aqueles com obesidade grave (IMC acima de 40), alguns dos quais podem pesar 200 quilos. Se rotularmos como doentes todos os que caem nessa faixa tão diversificada, teremos cerca de 20% dos brasileiros e 40% dos norte-americanos, por exemplo. A continuar nesse ritmo, ser considerado saudável ficará restrito a uma minoria. Acho um equívoco usar o IMC como critério único para separar pessoas com saúde daquelas enfermas. Primeiro, porque, entre outras limitações, o IMC não leva em conta sequer fatores anatômicos como a estrutura osteomuscular. Quem tem ossos largos, braços e pernas grossas tende a ter IMCs mais elevados do que os longilíneos. Parâmetros como circunferência abdominal são cada vez mais valorizados pelos especialistas, para avaliar o risco cardiovascular. Segundo, porque o IMC não reflete a atividade física. Magros sedentários têm expectativa de vida mais baixa do que aqueles com sobrepeso que fazem exercícios com regularidade. Com frequência encontro nas maratonas corredores corpulentos que poderiam ser chamados de gordos. Faz sentido dizer que são doentes mulheres e homens capazes de correr 42 km? Você, leitor, dirá que a obesidade traz com ela hipertensão arterial, diabetes, derrames, ataques cardíacos e outros agravos. É verdade, a incidência desses e de outros males é mais alta em obesos. Mas estaria justificado classificar a obesidade como uma patologia médica no caso dos que não apresentam nenhuma dessas complicações? Claro, a obesidade é uma condição ou fator de risco para essas doenças, mas não devemos nos referir a ela — e a outros fatores que aumentam riscos de adoecer — como se fossem estados mórbidos, quando na realidade não o são. Autor: Drauzio Varella - GZH (Adaptado).
No trecho "Primeiro, porque, entre outras limitações, o IMC não leva em conta sequer fatores anatômicos (l. 19-20)", o porque foi utilizado corretamente, segundo as regras da língua portuguesa. Nesse sentido, assinale a única alternativa em que o uso dos porquês está INCORRETO.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

