Língua PortuguesaInferências, pressupostos e subentendidosQuadrix 2022
CRP (MT)
Questão de Língua Portuguesa
1 Não é de hoje que as pessoas tentam desvendar os mistérios dos sonhos. O psiquiatra Sigmund Freud, por exemplo, ligava-os aos desejos reprimidos pela consciência. Já o psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung acreditava que eles eram apenas um produto psíquico, uma forma de comunicação do inconsciente com o “eu”. Hoje, muitos psicólogos 4 sustentam a hipótese da continuidade, segundo a qual os sonhos seriam um reflexo das atividades cotidianas, capazes de ajudar as pessoas a processarem suas experiências durante o sono. Hoje, há mais de 150 escalas de classificação e análise dos sonhos usadas por psicólogos, sendo a de Hall e Van de 7 Castle uma das mais aplicadas. Ela funciona assim: primeiro, deve-se elencar os personagens, como um homem triste e um gato carinhoso. Então, vê-se o enredo: como os personagens interagem entre si? O homem acaricia o animal? Por fim, ocorre a análise do processo e do que ele ocasiona. Por exemplo: o homem ficou feliz e calmo ou seguiu chateado? 10 O problema é que os psicólogos decodificam os sonhos manualmente, o que pode constituir uma dificuldade na hora de encontrar os padrões. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Roma Tre, na Itália, e da filial inglesa da Nokia Bell Labs desenvolveram um algoritmo capaz de traçar esses padrões automaticamente. O estudo foi publicado na 13 revista Royal Society Open Science. O algoritmo analisou mais de 24 mil relatórios de sonhos coletados do DreamBank.net, um banco de dados público montado a partir de estudos sobre o tema. A ferramenta transforma os textos em pequenos segmentos, transformando 16 parágrafos em frases e frases em palavras. Ela, então, divide as palavras em categorias, como nomes de pessoas e animais, vinculando-as a emoções positivas ou negativas. Além disso, ela define se as palavras são amigáveis, agressivas ou sexuais. Por fim, o algoritmo usa um sistema já aplicado por psicólogos para calcular pontuações para os sonhos e a 19 proporção de pontos positivos e negativos. Os cientistas compararam os resultados do algoritmo com outros obtidos pelos terapeutas e observaram que as pontuações batiam em 76% dos casos. Os pesquisadores explicam que o algoritmo pode ajudar os profissionais a identificarem sonhos fora do comum, que podem estar relacionados a possíveis problemas de 22 saúde mental. O algoritmo também analisa como os sonhos se diferenciam de acordo com sexo, idade e condições psiquiátricas. Um adolescente pode, por exemplo, ter emoções mais negativas ligadas à ansiedade social, enquanto um veterano de 25 guerra com estresse pós-traumático apresenta maior agressividade. O algoritmo não deve substituir o terapeuta, apenas servir como ferramenta para ajudar no diagnóstico. Os pesquisadores alertam que o sistema pode se confundir com alguns relatos, já que algumas pessoas descrevem seus 28 sonhos de modo mais detalhado e com mais emoção do que outras. A expectativa dos cientistas é que o sistema, um dia, possa ser adaptado para um aplicativo de celular. Dessa forma, haveria uma base de dados mais ampla — e as pessoas poderiam entender sua própria psique de forma simplificada. Carolina Fioratti. Cientistas desenvolvem algoritmo capaz de encontrar padrões ocultos em sonhos. In: Superinteressante, 27 ago. 2020. Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).
27 ago. 2020. Internet: <super.abril.com.br> (com adaptações).
Os pesquisadores mencionados no texto reconhecem que o algoritmo usado para encontrar padrões em sonhos ainda não é capaz de fazer, sozinho, diagnósticos da condição psíquica de pacientes a partir de seus relatos, mas têm a expectativa de que, algum dia, essa ferramenta dispense a atuação de profissionais como terapeutas e psicólogos.
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.



