Língua PortuguesaFiguras de sintaxe: anáfora, polissíndeto, hipérbato e elipseCopeve/UFAL 2013
Pref P Trincheiras
Questão de Língua Portuguesa
Edmundo, O Céptico 1 Naquele tempo, nós não sabíamos o que fosse 2 cepticismo. Mas Edmundo era céptico. As pessoas 3 aborreciam-se e chamavam-no de teimoso. Era uma grande 4 injustiça e uma definição errada. 5 Ele queria quebrar com os dentes os caroços de 6 ameixa, para chupar um melzinho que há lá dentro. As 7 pessoas diziam-lhe que os caroços eram mais duros que os 8 seus dentes. 9 Ele quebrou os dentes com a verificação. Mas 10 verificou. E nós todos aprendemos à sua custa. (O cepticismo 11 também tem o seu valor!) 12 Disseram-lhe que, mergulhando de cabeça na pipa 13 d'água do quintal, podia morrer afogado. Não se assustou 14 com a ideia da morte: queria saber é se lhe diziam a verdade. 15 E só não morreu porque o jardineiro andava perto. 16 Na lição de catecismo, quando lhe disseram que os 17 sábios desprezam os bens deste mundo, ele perguntou lá do 18 fundo da sala: "E o rei Salomão?" Foi preciso a professora 19 fazer uma conferência sobre o assunto; e ele não saiu 20 convencido. Dizia: "Só vendo." E em certas ocasiões, depois 21 de lhe mostrarem tudo o que queria ver, ainda duvidava. 22 "Talvez eu não tenha visto direito. Eles sempre atrapalham." 23 (Eles eram os adultos.) 24 Edmundo foi aluno muito difícil. Até os colegas 25 perdiam a paciência com as suas dúvidas. Alguém devia ter 26 tentado enganá-lo, um dia, para que ele assim desconfiasse 27 de tudo e de todos. Mas de si, não; pois foi a primeira pessoa 28 que me disse estar a ponto de inventar o moto contínuo, 29 invenção que naquele tempo andava muito em moda, mais 30 ou menos como, hoje, as aventuras espaciais. 31 Edmundo estava sempre em guarda contra os 32 adultos: eram os nossos permanentes adversários. Só diziam 33 mentiras. Tinham a força ao seu dispor (representada por 34 várias formas de agressão, da palmada ao quarto escuro, 35 passando por várias etapas muito variadas). Edmundo 36 reconhecia a sua inutilidade de lutar; mas tinha o brio de não 37 se deixar vencer facilmente. Numa festa de aniversário, 38 apareceu, entre números de piano e canto (ah! delícias dos 39 saraus de outrora!), apareceu um mágico com a sua cartola, 40 o seu lenço, bigodes retorcidos e flor na lapela. Nenhum de 41 nós se importaria muito com a verdade: era tão engraçado 42 ver saírem cinquenta fitas de dentro de uma só... e o copo 43 d'água ficar cheio de vinho... 44 Edmundo resistiu um pouco. Depois, achou que 45 todos estávamos ficando bobos demais. Disse: "Eu não 46 acredito!" Foi mexer no arsenal do mágico e não pudemos 47 ver mais as moedas entrarem por um ouvido e saírem pelo 48 outro, nem da cartola vazia debandar um pombo voando... 49 (Edmundo estragava tudo). 50 Edmundo não admitia a mentira. Edmundo morreu 51 cedo. (E quem sabe, meu Deus, com que verdades?) MEIRELES, Cecília. Quadrante 2. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1962, pág. 122. 6
Em qual dos períodos ou orações abaixo, extraídos do texto de Cecília Meireles, houve emprego figurado da concordância?
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


