Língua PortuguesaRadicais e afixos gregos e latinosInstituto ACCESS 2023
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Questão de Língua Portuguesa
Computador em sala de aula está emburrecendo as crianças? Computadores e tablets se tornaram uma parte importante do ensino dentro da sala de aula. Segundo dados da ONU, 46,7% das turmas de ensino básico (até o quarto ano) em todo o mundo têm acesso a computadores. Na 5 União Europeia (UE), esse índice é o dobro: chega a 98%. Apesar do uso já difundido dessa tecnologia nas escolas, nem todos os especialistas em educação compartilham da opinião de que computadores dentro da sala de aula resultam em vantagens. Ralf Lankau, professor 10 de teoria da comunicação da Escola Superior de Offenbach, afirma: "Tablets e notebooks não tornam as crianças mais espertas, e sim mais burras." Lankau se refere às crianças de até dez anos. Ele está entre os 40 pesquisadores que iniciaram uma petição por 15 meio da Gesellschaft für Bildung und Wissen (sociedade para a educação e conhecimento), com o objetivo de levar a público a preocupação sobre o efeito das tecnologias digitais no desenvolvimento de crianças. Eles exigem o adiamento da digitalização nas escolas 20 primárias e creches alemães para crianças entre 4 e 11 anos. "Não queremos a proibição da digitalização. Queremos mais responsabilidade com a sala de aula", diz Lankau à DW. "Precisamos nos perguntar: qual o objetivo de aprendizado que temos e como podemos usar mídias digitais e analógicas 25 para nos ajudar a alcançar esse objetivo? E não: qual a nova tecnologia e como podemos usá-la na escola?" A petição chega no momento em que escolas alemãs são criticadas pelo atraso na digitalização. Lankau e os outros pesquisadores, porém, querem que 30 o Ministério de Educação alemão repense esse processo. Segundo ele, o sistema escolar alemão não se concentra o suficiente nas demandas individuais de aprendizado e nos benefícios educacionais da socialização em sala de aula. "Instituições de ensino devem se concentrar em como 35 desenvolver indivíduos com seus próprios interesses e talentos e, ao mesmo tempo, torná-los parte da sociedade", diz Lankau. Na opinião do pesquisador, o problema principal é que, há 40 anos, a tecnologia de informação e as associações 40 comerciais determinam o que acontece na escola, enquanto, na verdade, deveríamos nos perguntar: o que precisamos localmente na escola, em termos de recursos humanos e até de tecnologias de mídia? A iniciativa causou pouca simpatia por parte de outros 45 pesquisadores. Maria Hatzigianni, especialista em educação infantil e tecnologias digitais na Universidade da Ática Ocidental, na Grécia, considera a opinião de Lankau uma velha tendência "tecnofóbica". "As pessoas fazem críticas sobre os computadores 50 desde 1990. Toda vez que uma nova tecnologia chega ao mercado, elas entram em pânico. Sócrates já dizia há quase 2.500 anos que anotar as coisas nos torna esquecidos", afirma Hatzigianni à DW. Mas quão nocivo é realmente o uso do computador 55 para crianças? É mais um caso em que adultos querem dizer às crianças o que elas devem fazer, como se afastar das telas, ou é uma preocupação com fundamento? Segundo Prakash Ranganathan, diretor do Centro de Pesquisa de Segurança Cibernética da Universidade de 60 Dakota do Norte, nos Estados Unidos, os resultados científicos sobre o impacto das tecnologias digitais no desenvolvimento das crianças são diversos. "Há algumas evidências de impacto no desenvolvimento cognitivo. Depois de muito tempo de uso 65 de tela, perdemos capacidade de concentração. Isso pode nos levar a uma experiência passiva de aprendizado e que pode impedir o pensamento crítico e a aptidão em resolver problemas. Mas ainda não está claro se esse efeito negativo em potencial é de curto ou longo prazo", explica 70 Ranganathan. Alguns estudos apontam que o uso excessivo do computador afeta a saúde por causa do sedentarismo, podendo levar à obesidade, a distúrbios do sono e à ansiedade. 75 Muitas dessas preocupações estão vinculadas ao medo do impacto da internet e das mídias sociais em crianças e jovens. Ranganathan, entretanto, pondera que é preciso mais estudos para reconhecer essas conexões. De acordo com Ranganathan, há também muitos 80 aspectos positivos no uso dessas tecnologias. Tanto ele quanto Hatzigianni apontam para os resultados de pesquisas que indicam que o uso delas em um contexto de ensino tem ganhos no desenvolvimento da leitura, da escrita, das habilidades de cálculos e manuais e da memória visual- 85 espacial. Estudos descobriram que o uso de tecnologias digitais interativas pelas crianças melhora a aquisição da linguagem, a função executiva (a capacidade de concentração e realização de tarefas) e a memória. 90 "Existe a robótica, a linguagem de programação, o aprendizado de idiomas, a alfabetização e a matemática. A tecnologia é uma ferramenta que facilita o acesso à informação e nos ajuda a sermos criativos. Isso ajuda imensamente na metacognição", diz Hatzigianni. 95 Metacognição é o conhecimento que um indivíduo tem acerca dos próprios processos cognitivos (por exemplo, pensamentos, opiniões, atitudes, atenção e criatividade). Hatzigianni trabalhou em conjunto com o governo grego para desenvolver aplicativos de aprendizagem para 100 crianças de 4 a 6 anos. Para ela, o trabalho foi bem-sucedido porque, no processo de criação da plataforma, todos foram envolvidos: crianças, professores e pais. Segundo Hatzigianni, a pergunta certa seria: como 105 podemos melhorar o aprendizado e a aula, usando a tecnologia adequada e sem temê-la? "É muito importante que educadores trabalhem junto com as crianças, para que todos tenham uma vida digital saudável", enfatiza Hatzigianni, que critica o grupo alemão 110 de pesquisadores por ignorar a opinião das crianças. "É bem irônico que queiram ensinar às crianças pensamento crítico e poder de análise, mas tiram delas a decisão sobre sua própria educação digital. Eles já convidaram as crianças para o debate?", questiona. (Deutsche Welle. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/12/computador-em-sala-deaula-esta-emburrecendo-as-criancas.shtml. 6.dez.2023) Página 3
A iniciativa causou pouca simpatia por parte de outros pesquisadores. Maria Hatzigianni, especialista em educação infantil e tecnologias digitais na Universidade da Ática Ocidental, na Grécia, considera a opinião de Lankau uma velha tendência "tecnofóbica". (L.44-48) Na palavra “tecnofóbica”, é correto afirmar que seu sentido, vinculado ao radical “fobia”, se encontra, no texto, no campo do (a)
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

