Língua PortuguesaSinônimos e antônimosIbest 2024
CREFITO
Questão de Língua Portuguesa
1 A “inocência” moderna fala do poder como se ele fosse um: de um lado, aqueles que o têm, de outro, os que não o têm; acreditamos que o poder fosse um 4 objeto exemplarmente político; acreditamos agora que é também um objeto ideológico, que ele se insinua nos lugares onde não o ouvíamos de início, 7 nas instituições, nos ensinos, mas, em suma, que ele é sempre uno. Adivinhamos então que o poder está presente nos mais finos mecanismos do intercâmbio 10 social: não somente no Estado, nas classes, nos grupos, mas ainda nas modas, nas opiniões correntes, nos espetáculos, nos jogos, nos esportes, nas 13 informações, nas relações familiares e privadas, e até mesmo nos impulsos liberadores que tentam contestá-lo: chamo discurso de poder todo discurso que engendra o erro e, por conseguinte, a 16 culpabilidade daquele que o recebe. Alguns esperam de nós, intelectuais, que nos agitemos a todo 19 momento contra o Poder; mas nossa verdadeira guerra está alhures: ela é contra os poderes, e não é um combate fácil: pois, plural no espaço social, o 22 poder é, simetricamente, perpétuo no tempo histórico: expulso, extenuado aqui, ele reaparece ali; nunca perece; façam uma revolução para destruí-lo, 25 ele vai imediatamente reviver, regerminar no novo estado de coisas. A razão dessa resistência e dessa ubiquidade é que o poder é o parasita de um 28 organismo trans-social, ligado à história inteira do homem, e não somente à sua história política, histórica. Esse objeto em que se inscreve o poder, 31 desde toda eternidade humana, é: a linguagem — ou, para ser mais preciso, sua expressão obrigatória: a língua. Roland Barthes. Aula. São Paulo: Cultrix, 2007 (com adaptações).
O verbo “engendrar”, empregado no trecho “chamo discurso de poder todo discurso que engendra o erro” (linhas 15-16), tem o mesmo sentido de
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.




