Questões de Língua Portuguesa · FAURGS

Língua PortuguesaEstrutura das palavras e elementos mórficosFAURGS 2020

HCPA

Questão de Língua Portuguesa

01. O velório do Guedes, que se realiza agora num 02. rancho enviesado e espremido entre um barranco e 03. um enorme eucalipto, não está transcorrendo com 04. aquela mesma pacatez. Há uma balbúrdia, um vozerio 05. incessante de indivíduos meio bêbados que rodeiam 06. o defunto como moscas tontas atraídas pelo odor 07. cadavérico. Excitadas pelo mistério que ainda paira em 08. torno da tragédia, aquelas imaginações grosseiras 09. repastam-se no acontecimento insólito, levantando 10. suposições arbitrárias, absurdas e desumanas. As idas e 11. vindas da polícia contribuem para exacerbar a atmosfera 12. de tensão criminosa que confina o ambiente estreito. 13. Nada se sabe ao certo, mas cada qual aventa um palpite, 14. que provoca discussões e interrogatórios policiais. 15. Presenciando todo esse alarido mexeriqueiro, 16. aturdida, imóvel, impotente, Maria José só tem um 17. desejo que a noite passe duma vez. 18. Gertudres, sim, encontra-se num dos seus dias e 19. no seu elemento. De olhos dilatados, vibrante de 20. atividade, mete-se em todos os grupos, espreitando, 21. colhendo para o seu “trabalho”. Já prometeu ___ vários 22. que ___ de descobrir tudo, assim que se recolha à 23. sua casa e possa se concentrar. Ali mesmo, apesar 24. do burburinho, já sentiu qualquer coisa: uns arrepios, 25. uns sopros, uma tremura nas mãos – sinais evidentes 26. de que está por receber uma comunicação importante. 27. Do lado de fora, acocorado contra a parede, Eusébio 28. distrai uns três ou quatro com seus “causos” de antigo 29. carreteiro, de homem que viveu trinta anos na estrada. 30. É um velhito delgado, de fala simpática e olhos muito 31. vivos. Foi numa das últimas carreteadas que conheceu 32. o Guedes, quando este andava procurando campo para 33. se mudar. Nessa ocasião lhe disse, debaixo da carreta, 34. adivinhando tudo o que ia suceder: “O fim de nós todos 35. é lá na cidade, aperreados naquele chiqueiro”. Ora, dito 36. e feito. Os rapazes estavam vendo... Certa feita, Guedes 37. chegara de noite ao seu acampamento, achando a noite 38. escura. Pediu-lhe pouso e, ora, se ia bem. O finado 39. trazia uma linguiça de fiambre, ainda se lembrava 40. bem. E enquanto a linguiça foi dourando, torcendo-se 41. e pingando gotinhas de graxa no braseado manheiro, 42. eles começaram a matear, manguando a prosa por longe, 43. como quem não quer, dando-se ___ conhecer afinal. Adaptado de: MARTINS, Cyro. Porteira fechada. 9. ed. Porto Alegre: Movimento, 1989, p. 38-39.

Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir. ( ) Na palavra vozerio (l. 04), há um sufixo. ( ) Na palavra desumanas (l. 10), há um prefixo. ( ) Na palavra presenciando (l. 15), há um prefixo. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

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