Língua PortuguesaInterpretação de textosReis e Reis 2024
CM Sarzedo
Questão de Língua Portuguesa
Lúcia Machado Num bosque cheio de passarinhos e flores, aparecera certa vez uma pequenina e silenciosa crisálida colada ao tronco de uma árvore. Uma velha jitiranaboia examinava-a admirada, pensando nas coisas extraordinárias que estavam acontecendo com ela. Pobrezinha! Ficava ali tão só e abandonada! Em toda parte, as mães borboletas gostavam de vigiar as crisálidas, esperando a hora em que se completasse o fenômeno maravilhoso da metamorfose e as filhinhas saíssem dos invólucros. Aquele, entretanto, parecia não interessar a ninguém. - Esse inseto não deve ter pai nem mãe, pensou a Jitirana. Céus! Como era feia Dona Jitirana! Um corpo grande e desajeitado, uma cabeça enorme, inchada, um narigão semelhante a tromba, metia medo...Sem razão, aliás, pois Dona Jitirana era uma das melhores criaturas que se possa imaginar. Atenção! Eis que a crisálida começou a mexer-se e, pouco a pouco, veio surgindo lá de dentro uma pequenina borboleta... Era linda e suas asas amarelas e pretas estavam como que molhadas. É uma Atíria!, exclamou Dona Jitirana, encantada. A recém-nascida abriu os olhos e tentou levantar voo. Inútil, não conseguia sair do mesmo lugar. — Espere um pouquinho, meu bem, disse a Jitirana, aproximando-se. Dentro de uma ou duas horas as asas ficarão firmes e você poderá voar. O rosto feio assustou a pequenina, mas havia tal doçura, tal carinho no olhar de Jitirana, que Atíria acabou sorrindo, confiante. Era tão frágil, tão ingênua e não compreendia nada ainda. Lembrava-se vagamente do seu estado de larva, quando se arrastava pelo chão e só sabia comer folhas e dormir. Depois, o sono de seis meses...o esquecimento na crisálida... Até que um ímpeto de vida a fez tomar conhecimento real de sua personalidade. - Experimente voar agora, disse a Jitirana. A borboleta abriu as pequeninas asas, equilibrou-se no ar durante algum tempo, depois caiu ao chão outra vez. Esquisito aquilo, pois já se haviam passado três horas desde que tinha abandonado a crisálida e era natural que saísse voando livremente. Seria defeituosa? - Venha aqui, pequenina, deixe-me ver o que aconteceu, falou a Jitirana. Dito e feito. A borboleta tinha nascido com um desvio qualquer numa das asas, o que lhe dificultava o voo. E não havia jeito. A vida inteira ficaria assim, sem poder ir longe, sem aguentar viagens longas. E teria de enfrentar sozinha o imenso bosque com armadilhas e perigos, surpresas e mistérios... (Texto extraído do livro O Caso da Borboleta Atíria, 4ª edição, Editora Ática)
A personagem Atíria é:
Mais questões de Interpretação de textos
- CMRJ 2027Os textos I e II tratam os smartphones como os itens da contemporaneidade que têm levado as pessoas em geral a lidar (ou a não saberem lidar) com o hábito cotidiano. Que fragmento…
- CMRJ 2027Em entrevista ao jornal O Globo (04/09/2017), o brasileiro Gil Giardelli, um Web Ativista, membro do XMedia da Universidade de Stanford, disse: “há uma pesquisa global sobre varej…
- CMRJ 2027Coutinho traz uma reflexão crítica sobre o uso dos smartphones. Em sua visão, de todas as informações abaixo uma não está em consonância com o que ele afirma. Marque-a.
- Vunesp 2026“Fui ter com ela; expus-lhe a crise e fiz-lhe a proposta. Marcela ouviu-me com os olhos no ar, sem responder logo; como insistisse, disse-me que ficava, que não podia ir para a Eu…
- Fronte Concursos e Projetos 2026Ao abordar a consolidação da memória, o texto estabelece uma relação de dependência entre o intelecto e a emoção, sugerindo que:
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
