Questões de Língua Portuguesa · Vunesp

Língua PortuguesaComparação entre textos e intertextualidadeVunesp 2016

CM Guaratinguetá

Questão de Língua Portuguesa

A lama que cobre tudo. O mar de lama que inundou o Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, esconde ocorrências e consequências que a própria intensidade da tragédia coloca em plano obscuro e até em silêncio. Aquelas que o senso comum dos distantes não considera dignas de atenção, de interesse e, mesmo, de compaixão. Lamentam-se os mortos e desaparecidos e há gratidão pelas vidas que se salvaram graças a gestos de solidariedade de pessoas educadas nos valores comunitários da precedência do bem comum e da vida em relação a tudo o mais. As ciências, não raro, têm se valido das revelações dos desastres naturais para ampliar o conhecimento científico sobre realidades que não poderiam ser observadas de outro modo. Quando os desastres naturais constituem, também, desastres sociais e humanos, como nesse caso do Rio Doce, é a vez da antropologia e da sociologia fazerem descobertas que podem ampliar conhecimentos com função humanitária na prevenção e na definição de políticas públicas. As sociedades, como as pessoas, se revigoram e até se reinventam em face da tragédia. É o que faz, para os cientistas sociais, novas revelações sobre o que elas são e como funcionam. Nos povoados e nas pequenas localidades atravessados pelo Rio Doce, por onde escoa a lama mortífera, ribeirinhos acrescentam um item, para eles essencial, ao inventário de perdas e danos dela decorrentes: a lama afogou o mundo comunitário dos simples, a sociedade de vizinhança, os valores humanos centrados na pessoa, que cimentam os relacionamentos e que explicam os repetidos gestos de solidariedade e de prontidão que salvaram vidas. Nos fragmentos de entrevistas com as vítimas, que circularam pela mídia, há reiterada manifestação de dor e sofrimento pela perda das referências da vida cotidiana, a vizinhança desfeita, a incerteza quanto ao destino, o próprio desenho do espaço, casas, cercas, árvores, demarcações simbólicas do espírito e do ser. Não estão falando das perdas materiais: uma casa nova sempre pode ser construída, um novo sítio sempre pode ser aberto em outro terreno. Mas, a comunidade, a unidade afetiva do grupo humano, pode se perder. É uma modalidade de morte. A história não é o passado, não escorre na lama do rio. Ela atravessa e determina o nosso presente, define esperanças e possibilidades, nos convida a continuar o que deu e dá sentido às nossas raízes para dar sentido ao nosso presente e a recriar em nós a concepção de membros de uma sociedade que se renova na permanência. Legado e patrimônio plasmam-se nos marcos significativos da existência grupal: uma casa de pau a pique, o perfume das rosas de uma roseira rústica, o canto do sabiá, as plantas contra o mau olhado. As demarcações identitárias dos símbolos, das coisas que só existem como todo na obra que deu forma e vida a determinado lugar. (José de Souza Martins. Disponível em http://estadao.com.br. 30.11.2015. Adaptado) Poema José, de Carlos Drummond de Andrade: Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? (Carlos Drummond de Andrade, José)

Observe a charge a seguir.

Figura da questão (imagem do caderno de prova)

(Diponível em http://goo.gl/9O3OUA) Considerando-se o texto A lama que cobre tudo e o trecho do poema José, de Carlos Drummond de Andrade, ambos apresentados nessa prova, é correto afirmar que a charge

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.