Língua PortuguesaModalização e marcas de subjetividadeMarinha 2012
EAM
Questão de Língua Portuguesa
O francês tem o seu diminutivo, é um exagero. tout petit peu, que não é um Um "pouco todo pequeno" é muita explicação para tão pouco. Os mexicanos usam o poco, o poquito e - menos ainda do que o poquito - o poquetim! Mas ninguém bate o 15 brasileiro. Era o que eu pensava até o dia, na Itália, em -- que ouvi alguém dizer que alguma coisa duraria um mezzoretto. Não_ sei s_e a grafia é essa mesma, mas um povo que consegue, numa_ palavra., reduzir uma meia hora de tamanho - e você não tem nenhuma dúvida 20 de que um mezzoretto dura os mesmos 30 minutos de uma m<;,ia hora - convencional, mas passa muito mais depressa é invencível em matéria de diminutivo. O diminutivo é uma maneira ao mesmo tempo afetuosa e precavida de usar a linguagem. Afetuosa porque geralmente o 25 usamos para designar o que é agradável, aquelas coisas tão afáveis que se deixam diminuir sem perder o sentido. E precavida porque também o usamos para desarmar certas palavras_ que, na sua forma original, são ameaçadoras demais. Operação, por exemplo. É uma palavra assustadora. Pior do 30 _ que intervenção cirúrgica, porque promete uma intromissão muito mais radical nos intestinos. Uma operação certamente durará horas, e os resultados são incertos. Suas chances de sobreviver a uma operação ... sei não. Melhor se preparar para o.pior. Já uma operaçãozinha é uma mera formalidade. Anestesia 35 local e duas aspirinas depois. Uma coisa tão banal_ que quase dispensa a presença do paciente. ( ... ) Se alguém disser que precisa ter uma conversa com você, cuidado. É coisa da maior importância. Os próprios destinos do 40 Pacto do Atlântico podem estar em jogo. Uma conversa é sempre com hora marcada. Já uma conversinha raramente passa do nível da mais cândida inconsequência. E geralmente é fofoca. A hora para uma conversinha é sempre qualquer hora dessas. 45 Num jogo você arrisca aceita-se até o cheque frio. tudo, até a hora. Num joguinho, Entre ter um caso e ter um casinha, a diferença, às vezes, é a tragédia passional. No Brasil, usa-se o diminutivo principalmente com relação à 50 comida. Nada nos desperta sentimentos tão carinhosos quanto uma boa comidinha. - Mais um feijãozinho? O feijãozinho passou dois dias borbulhando num daqueles caldeirões de antropófagos com capacidade para três 55 missionários. Leva porcos inteiros, todos os miúdos e temperos conhecidos e, parece, um missionário. Mas a dona da casa o trata como um mingau de todos os dias. (... ) O diminutivo é também uma forma de disfarçar o nosso 60 entusiasmo pelas grandes porções. E tem um efeito psicológico inegável. Você pode passar horas tomando cervejinha em cima de cervejinha sem nenhum dos efeitos que sofreria depois de apenas duas cervejas. E agora, um docinho. 65 E surge um tacho de ambrosia que é um porta-aviões. (Adaptado de VERÍSSIMO, L. F. Diminutivos. Comédia da vida privada. 101 crônicas escoihídas. Porto Alegre: LP&M, 1994). As questões de 16 a 25 se referem ao TEXTO I.
Qual opção apresenta ideias em conformidade com o texto?
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
