Língua PortuguesaPonto final, reticências, interrogação e exclamaçãoITAME 2022
CM SC de Goiás
Questão de Língua Portuguesa
Eu devia ter nesse tempo dez anos. Era menina prestimosa e trabalhadeira à moda do tempo. Tinha ajudado a fazer aquela cocada. Tinha areado o tacho de cobre e ralado o coco. Acompanhei rente à fornalha todo o serviço, desde a escumação da calda até a apuração do ponto. Vi quando foi batida e estendida na tábua, vi quando foi cortada em losangos. Saiu uma cocada morena, de ponto brando atravessada de paus de canela cheirosa. O coco era gordo, carnudo e leitoso, o doce ficou excelente. Minha prima me deu duas cocadas e guardou tudo mais numa terrina grande, funda e de tampa pesada. Botou no alto da prateleira. Duas cocadas só... Eu esperava quatro e comeria de uma assentada oito, dez, mesmo. Dias seguidos namorei aquela terrina, inacessível. De noite, sonhava com as cocadas. De dia as cocadas dançavam pequenas piruetas na minha frente. Sempre eu estava por ali perto, ajudando nas quitandas, esperando, aguando e de olho na terrina. Batia os ovos, segurava gamela, untava as formas, arrumava nas assadeiras, entregava na boca do forno e socava cascas no pesado almofariz de bronze. Estávamos nessa lida e minha prima precisou de uma vasilha para bater um pão-de-ló. Tudo ocupado. Entrou na copa e desceu a terrina, botou em cima da mesa, deslembrada do seu conteúdo. Levantou a tampa e só fez: Hiiii... Apanhou um papel pardo sujo, estendeu no chão, no canto da varanda e despejou de uma vez a terrina. As cocadas moreninhas, de ponto brando, atravessadas aqui e ali de paus de canela e feitas de coco leitoso e carnudo guardadas ainda mornas e esquecidas, tinham se recoberto de uma penugem cinzenta, macia e aveludada de bolor. Aí minha prima chamou o cachorro: Trovador... Trovador... e veio o Trovador, um perdigueiro de meu tio, lerdo, preguiçoso, nutrido, abanando a cauda. Farejou os doces sem interesse e passou a lamber, assim de lado, com o maior pouco caso. Eu olhando com uma vontade louca de avançar nas cocadas. Até hoje, quando me lembro disso, sinto dentro de mim uma revolta – má e dolorida - de não ter enfrentado decidida, resoluta, malcriada e cínica, aqueles adultos negligentes e partilhado das cocadas bolorentas com o cachorro.
O uso de reticências no trecho “Aí minha prima chamou o cachorro: Trovador... Trovador... e veio o Trovador”, indica:
Mais questões de Ponto final, reticências, interrogação e exclamação
- Legalle 2026O título da charge apresenta uma palavra seguida de reticências. Considerando o cenário ilustrado, assinale a afirmação CORRETA sobre o emprego desse sinal de pontuação.
- Ganzaroli 2026No fragmento “DOR DE CABEÇA?” o sinal de pontuação utilizado indica uma pergunta direta. Esse sinal é:
- Avança SP 2026Marque a alternativa em que a frase é interrogativa indireta, usada para fazer uma pergunta, mesmo sem o sinal de interrogação.
- Instituto Verbena 2026O uso das reticências, na fala do menino, contribui para a construção de sentido da charge, pois
- UNESC 2026No trecho "− E por que o senhor não me avisou? A gente poderia ter colado os pedacinhos no chão e recomeçado...", as reticências ao final da frase cumprem uma função expressiva. C…
Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


