Língua PortuguesaAspas, travessão e parêntesesFAUEL 2022
CM Douradina
Questão de Língua Portuguesa
Se me perguntassem qual é o aspecto mais desolante da civilização moderna, eu diria que é a sua padronização. Neste mundo em que vivemos está se acabando realmente a invenção, a originalidade, a marca pessoal. Hoje, no mais longínquo sertão, as moças se vestem pelo figurino de Hollywood — talvez com uns toques de Brigitte Bardot ― tão igual, tão igual que dá bocejos, quando não dá risadas. Os concursos de beleza, então. As meninas são tão estereotipadas, tão decalcadas umas pelas outras, tão estandardizadas, dentro de dois ou três tipos, que parecem bonecas saídas de uma linha de montagem. Nem mesmo na roupa se diferenciam. Ou antes, muito menos se diferenciam na roupa, se justamente é a roupa o elemento principal da padronização. E se fossem só as misses. Mas ande-se em Copacabana e a impressão que se tem é que um colégio soltou as suas meninas pelas ruas do bairro sul. Tudo de blusa de listra horizontal e calça comprida colante — ou saia branca de tergal. Os penteados, os colares, a pintura, os sapatos (agora no inverno é mocassim) são também uniformes. E note-se o traço mais curioso da coisa — elas têm prazer de se sentir idênticas, fazem questão de parecer reproduções fotográficas do mesmo modelo, adoram ser uma unidade num rebanho uniforme. Alguma que venha diferente, mesmo elegante, mesmo bem vestida, choca — só mesmo porque é diferente. Parece que morreu aquela preocupação feminina da originalidade, que fazia as mulheres ricas pagarem fortunas por um ‘modelo’ único de grande costureiro, ou as moças pobres rasgarem a página escolhida no figurino da modista, para evitar outras cópias. Será que a humanidade está marchando mesmo para a padronização geral, será que o fim próprio do aperfeiçoamento da técnica, o progresso da indústria, o avanço danado da ciência vai nos levar a isso? Tudo parecido, como andorinhas no fio ou misses na passarela?”. (Rebanho, de Rachel de Queiroz, com adaptações).
No texto em questão, a oração “agora no inverno é mocassim” encontra-se entre parênteses. Nesse caso, os parênteses servem para introduzir no texto uma:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.
