Questões de Língua Portuguesa · Cebraspe

Língua PortuguesaOrdem alfabéticaCebraspe 2006

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Questão de Língua Portuguesa

A filosofia está na moda. Depois do esoterismo, da auto-ajuda, das iogas, da idolatria e das seitas, o novo produto nas gôndolas são as idéias, o pensamento. A perturbação diante de tantas mazelas, a velocidade das mudanças, o ruído das coisas ou o mix de tudo isso está levando as pessoas a trocar o personal trainer pelos tutores intelectuais privados. A sociedade pós-industrial aposentou os economistas, o fim das ideologias está dispensando os cientistas políticos, mas as perplexidades produzidas pelo progresso sem bem-estar aumentaram a demanda pelos filósofos. De preferência portáteis, agradáveis, recarregáveis e sintéticos. Robôs capazes de recitar meia dúzia de sonoras epígrafes e verbetes quando se aciona certa tecla ou se menciona determinada palavra. O que diria Sócrates diante do roubo de 2 milhões de reais de dentro das dependências da Polícia Federal no Rio? Tomaria outra dose de cicuta ou tentaria avaliar aquele agrupamento humano incapaz de produzir diferenças entre benfeitores e malfeitores? O caso andou pelas manchetes, agora está nas páginas dos crimes quotidianos, deixou o ranking do impensável e encaixou-se no das banalidades. Mas é um dos acontecimentos mais surpreendentes desta temporada de surpresas. Seu ineditismo e sua dimensão o colocam no âmbito dos paradigmas, caso de estudo, transcendental. O policial-ladrão não é apenas uma excentricidade como o homem que morde o cão. É uma subversão de todos os valores, ruptura elementar da ordem, sinal de um caos conceitual que anula os códigos e torna impossível qualquer tipo de consenso. O agente da lei que pisoteia a lei representa a impossibilidade da convivência. De repente, descobre-se como são enganosas e desviantes certas palavras de ordem marteladas há algumas décadas tanto por governantes como pelos governados. “Tudo pelo social” foi uma perigosa simplificação que retirou das nossas preocupações o sentido moral da política. Alberto Dines. Tempos modernos – revolução moral e revolução social. In: Jornal de Debates do Observatório da Imprensa, em 26/9/2005. Internet: <observatorio.ultimosegundo.ig.com.br> (com adaptações).

“De repente (...) pelos governados” (R.33-35): De repente, os cidadãos descobrem o quanto são enganadoras e dissuasivas certas palavras-guias dos governantes ouvidas faz décadas pelos governados.

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.