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Questão de Língua Portuguesa
A jornalista Patrícia Galvão, para muito além de Pagu Edusp traz, em alentada antologia, cerca de duas centenas de textos jornalísticos da militante intelectual e política e musa do Movimento Antropofágico 01/12/2023 Texto: Marcello Rollemberg - Intelectual, jornalista, militante cultural − e política −, musa do antropofagismo andradiano, Patrícia Galvão (1910-1962) tem um lugar garantido no panteão dos fomentadores do Modernismo no Brasil. Mesmo que não tenha participado da icônica Semana de Arte Moderna de 1922 − afinal, tinha apenas 12 anos de idade na época e até precocidade tem limites −, ela logo se engajou no movimento e nas suas ideias. Aos 18 anos, essa moça nascida em uma família abastada de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, já estava integrada àquilo que de mais moderno e instigador a intelectualidade paulistana poderia incrementar. Mal terminou a Escola Normal em São Paulo − para onde a família se mudara quando ela tinha 15 anos −, se uniu ao Movimento Antropofágico por influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, começou um relacionamento conturbado com o próprio Oswald que durou anos e ganhou o apelido que a colocou no mundo cultural da época e para toda a eternidade: Pagu. Isso, graças a um equívoco do poeta Raul Bopp, que achou que a moça de olhar lânguido chamava-se "Patrícia Goulart", e não Galvão, daí a junção fonética das primeiras sílabas de um nome que não existia. "Pagu tem uns olhos moles/ uns olhos de fazer doer./Bate-coco quando passa./Coração pega a bater./ Eh Pagu eh!/Dói porque é bom de fazer doer..." Os olhos podiam ser "moles", como alinhavou o criador de Cobra Norato, mas eram também atentos, argutos e questionadores. E muito desse questionamento e dessa lucidez Pagu colocou em livros − como Parque Industrial, de 1933 −, em suas percepções políticas − passando do comunismo stalinista ao socialismo trotskista − e, antes de tudo, em seus textos jornalísticos. Porque Patrícia Galvão era, pode-se dizer, principalmente uma jornalista muito bem articulada. Afinal, escreveu para inúmeros jornais desde a década de 1930 até as vésperas de sua morte em um dia 12 de dezembro, trinta anos depois, quando já vivia em Santos com o segundo marido, o jornalista Geraldo Ferraz, com quem se casou ao sair da prisão, em 1940. É esse material jornalístico que chega agora ao público em uma caprichada e alentada antologia editada pela Editora da USP, Edusp, e organizada pelo pesquisador americano Kenneth David Jackson, professor em Yale. Estudioso há décadas da obra de Patrícia Galvão, Jackson é também o responsável, junto com sua mulher Elizabeth, pela tradução para o inglês de Parque Industrial. Há, entretanto, uma curiosidade no subtítulo da antologia organizada por Kenneth Jackson − Palavras em Rebeldia − Uma antologia do jornalismo de Patrícia Galvão (Pagu). A curiosidade reside no fato de que a esmagadora maioria das quase duas centenas de textos que preenchem as mais de 600 páginas da antologia não leva a assinatura "Pagu". Para a História, Patrícia Galvão é Pagu. Mas não para ela. "Para usar um lugar-comum caracterizando uma situação nada clichê, o jornalismo corria nas veias de Patrícia Galvão. Ela usou, além de seu nome oficial, muitos pseudônimos como jornalista − Patsy, Gim, Pt., Pat, Mara Lobo, Moleka, entre outros − mas não o que ficou famoso", explica seu filho e também jornalista Geraldo Galvão Ferraz, morto em 2013, no prefácio que deixou pronto para um livro que nem o próprio Kenneth Jackson acreditava que um dia sairia a lume. "Pagu ficou mais como o codinome da mulher que fez da vida uma forma de militância. Não é para menos que, quando se desiludiu com o Partido Comunista, passou a detestar que a chamassem de Pagu, pois esse era o rótulo de uma página virada. É irônico que exatamente esse nome seja a etiqueta de sua sobrevivência na memória histórica e cultural do Brasil." https://jornal.usp.br/cultura/a-jornalista-patricia-galvao-para-muito-alemde-pagu
No trecho "Não é para menos que, quando se desiludiu com o Partido Comunista, passou a detestar que a chamassem de Pagu, pois esse era o rótulo de uma página virada.", a palavra em destaque poderia ser substituída adequadamente por:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

