Língua PortuguesaEmprego da vírgulaVunesp 2026
UNIFESP
Questão de Língua Portuguesa
Vacinas: soberania nacional e o coletivo Desde o final do século 18, quando o médico inglês Edward Jenner observou que mulheres que ordenhavam vacas não contraíam varíola, uma doença de altíssima letali dade, e descobriu que era a exposição aos animais infectados que conferia imunidade a elas, a vacinação evoluiu significa tivamente e se consolidou como uma das ferramentas mais poderosas da saúde pública. Graças às vacinas, a varíola foi erradicada e diversas doenças contagiosas foram contro ladas. Sua eficácia depende, porém, de dois pilares funda mentais: informação confiável e acesso garantido. A disseminação de boatos e de teorias conspiratórias que põem em dúvida a segurança das vacinas ganhou visi bilidade, sobretudo nos Estados Unidos, com os movimentos “antivacina”, que desencorajam a população de se proteger de doenças contagiosas e evitáveis. Em vez de incentivar a prevenção de doenças, prestam um desserviço à população, contrariando os esforços globais para evitar novas pande mias. Com isso, aumenta a hesitação vacinal, que tem con tribuído para a volta de outras doenças antes controladas, como coqueluche, poliomielite e sarampo. No caso do sarampo, que é uma doença altamente conta giosa, a situação é ainda mais preocupante. Recentemente, conforme notificou a Organização PanAmericana da Saúde, foram registrados em dez países das Américas surtos da doença, que já havia sido eliminada em grande parte do con tinente. O Canadá e o México foram os países mais afetados, seguidos pelos Estados Unidos. No Texas e no Novo México, ocorreram três mortes, todas de pessoas não vacinadas. Em muitos países, a escassez de vacinas e as dificul dades logísticas são o principal problema. A pandemia de covid19 escancarou essa vulnerabilidade: enquanto os paí ses ricos monopolizavam as doses, os outros, dependentes da produção externa, tinham de esperar ações da diplomacia internacional. Foi nesse contexto que as vacinas se consolida ram como instrumentos de soft power: distribuir imunizantes e tecnologias tornouse uma forma de construir prestígio e criar alianças. O Brasil, onde existe um dos mais abrangentes progra mas públicos de vacinação do mundo, tem tradição e legitimi dade nesse campo. Instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan ampliaram a capacidade de produção de vacinas. Em maio deste ano, o País firmou um acordo estratégico com a Gavi, a Vaccine Alliance, para fornecer vacinas a países de baixa e média renda da África e da América Latina. Esse tipo de cooperação reforça o papel do Brasil como ator relevante na saúde global, em particular no eixo SulSul, e transforma solidariedade em política externa. O século 21 será marcado pela capacidade dos países de garantir inovação, prevenção e acesso à saúde. O Brasil tem a oportunidade de transformar sua tradição em vacinas num poderoso instrumento de soft power. O País pode e deve posicionarse como líder de uma nova diplomacia em saúde, usando vacinas também como alicerce de uma política externa solidária, inovadora e estratégica. (https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.11.2025. Adaptado)
Na passagem do 1o parágrafo “Sua eficácia depende, porém, de dois pilares fundamentais: informação con fiável e acesso garantido.”, as vírgulas e o sinal de doispontos são empregados, correta e respectivamente, pelos seguintes motivos:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.


