Língua PortuguesaHipérbole, eufemismo e gradaçãoVunesp 2021
UNESP
Questão de Língua Portuguesa
Coro dos desgraçados: Trabalhamos noite e dia, dia e noite sem parar! Então de nada precisamos, se só precisamos trabalhar! Há mil anos sem parar! Fizemos as correntes que nos botaram nos pés, fizemos a Bastilha onde fomos m orar, fizemos os canhões que vão nos apontar. Há mil anos sem parar! Não mandamos, não fugimos, não cheiramos, não matamos, não fingimos, não coçamos, não corremos, não deitamos, não sentamos: trabalhamos. Há mil anos sem parar! Ninguém sabe nosso nome, não conhecemos a e spuma do mar, somos tristes e cansados. Há mil anos sem parar! Eu nunca ri — eu nunca ri — sempre trabalhei. Eu faço charutos e fumo bitucas, eu faço tecidos e ando pelado, eu faço vestido pra mulher, e nunca vi mulher desvestida. Há mil anos sem parar! Maria esqueceu de mim e foi morar com seu Joaquim. Há mil anos sem parar! (Apito longo. Um cartaz aparece: “Dois minutos de descanso e lamba as unhas.” Todos vão tentar sentar. Menos o Desgraçado 4 que fica de pé furioso.) Desgraçado 1: Ajuda-me aqui, Dois. Eu quero me dá uma sentadinha. (Desgraçado 2 ri de tudo.) Desgraçado 3: Senta. (Desgraçado 1 vai pôr a cabeça no chão.) De assim, não. Acho que não é com a cabeça não. Desgraçado 1: Eu esqueci. Desgraçado 3: A bunda, põe ela no chão. A perna é que eu não sei. Desgraçado 2: A perna tira. (Desgraçado 3 e Desgraçado 2 desistem de descobrir. Se atiram no chão.) Desgraçado 1: A perna dobra! (Senta. Satisfeito.) Desgraçado 2: Quero ver levantar. (Todos olham para Desgraçado 4, fazem sinais para que ele se sente.) Desgraçado 4: Não! Chega pra mim! Eu só trabalho, trabalho, trabalho… (Perde o fôlego.) Desgraçado 3: Eu te ajudo: trabalho, trabalho, trabalho... Desgraçado 4: E tenho dois minutos de descanso? Nunca vi o sol, não tomei leite condensado, não canto na rua, esqueci do sentar, quando chega a hora de descansar, fico pensando na hora de trabalhar! Chega! Slide: Quem canta seus males espanta. Desgraçado 1: (cantando) A paga vem depois que a gente morre! Você vira um anjo todo branco, rindo sempre da brancura, bebe leite em teta de nuvem, não tem mais fome, não tem saudade, pinta o céu de cor de felicidade! (Peças do CPC, 2016. Adaptado.)
Considerado no contexto, constitui exemplo de eufemismo o verbo sublinhado no trecho
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

