Língua PortuguesaModo subjuntivoCOMPERVE 2013
UFRN
Questão de Língua Portuguesa
Rogério Tuma Um estudo publicado na revista PLoS ONE, em setembro, mostra como a punição severa aos corruptos e a proteção e os benefícios aos punidores promovem uma sociedade 3 cooperante e sadia, sem corrupção. Quando olhamos um formigueiro em funcionamento, a primeira coisa que vem à cabeça é: como uma sociedade de insetos pode ser mais produtiva e eficiente que a nossa? A resposta é simples: não existem corruptos, existem 6 regras e elas são obedecidas. A falha na sociedade humana é que aquele que pune quem não coopera pode ser punido por retaliação ou sofrer ameaças e acaba até correndo risco de extinção, e esse 9 custo para o punidor acaba provocando uma tolerância maior à não colaboração dos outros e consequente deterioração da sociedade. Na grande maioria das sociedades de insetos, não há perdão. Não colaborou, vira inimigo, o que é considerado cientificamente um 12 sistema de retidão. Porém, algumas raras sociedades de insetos permitem que os punidores desertem, como ocorre em uma espécie de vespa e em uma de formiga. Esse modelo é interpretado como corrupto: nesses dois casos, a sociedade se beneficia dos 15 desertores, pois, apesar de tolerantes, continuam contribuindo, mesmo que pouco, para o grupo. Estudos mostram que, entre humanos, a corrupção deteriora os laços sociais, estimula 18 a criminalidade e gera desconfiança na hierarquia, reduzindo investimentos e o desenvolvimento sustentável. A corrupção piora a saúde psíquica e a física. Os pesquisadores Duenez-Guzman e Sadedin entendem que na sociedade humana o 21 interesse econômico promove a não punição para os não colaboradores, isto é, fomenta a corrupção, e a única maneira de evitá-la é promover benefícios financeiros para o agente punidor e infligir alto custo para o infrator. Baseados na teoria de que a punição a quem 24 não coopera pode melhorar substancialmente a performance de uma sociedade, e que é fundamental que os punidores sejam poupados de retaliação e tenham um poder hierárquico maior, como na sociedade dos insetos, os pesquisadores criaram jogos teó ricos 27 com tipos de sociedades com interações diferentes entre seus personagens: punidores desertores, punidores não corruptos, corruptos e os colaboradores. Os autores concluem que a sociedade humana existe com a interação de todos esses 30 tipos, mas em um equilíbrio bastante instável onde a diferença entre o poder dos punidores corretos contra a soma de seus desertores com o número de corruptos é que define o sucesso. Mesmo uma discreta diferença a favor da honestidade, como um posto mais alto 33 na sociedade para os corretos, pode fazer a diferença, pois a busca dessa posição social melhora a colaboração de todos contra os corruptos e reduz o número de deserções entre os punidores. 36 Segundo o estudo, o caminho para a retidão social é um só: todos da sociedade precisam contribuir remunerando os punidores e precisam aumentar drasticamente os custos para corruptos e desertores. Os autores acreditam que, se a colaboração entre 39 humanos fosse baseada apenas na punição, a corrupção seria universal, inversamente proporcional à deserção e diretamente relacionada ao bem-estar da sociedade. Mas ela cresce junto, alimenta o crime e piora o desenvolvimento. Portanto, a sociedade ideal é 42 aquela onde todos podem punir os corruptos e devem colaborar, e a pior sociedade é aquela onde existe um enorme número de colaboradores e o poder está na mão dos corruptos. UFRN Concurso Público 2013 Médico Veterinário Código 101 1 45 A democratização e o surgimento do aparato policial facilitou o aparecimento da corrupção na sociedade moderna. Mas as sociedades que mudaram o equilíbrio tendendo à correção obtiveram ganhos bem maiores que as que permaneceram corruptas. A chave 48 para a mudança é uma punição equalitária, uma justiça sem distinção. Poupar alguns criminosos e condenar outros provoca desequilíbrio social e revolta entre os colaboradores. A melhor saída é a justiça e não a vingança. Disponível em: <www.cartacapital.com.br> Acesso em: 27 mar. 2013 [Adaptado]
Considere o trecho: “[...] e que é fundamental que os punidores sejam poupados de retaliação e tenham um poder hierárquico maior [...]” (linhas 24-26). Se o verbo em destaque for flexionado no pretérito imperfeito, as formas “sejam” e “tenham” assumirão, respectivamente, as formas
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

