Questões de Língua Portuguesa · INSTITUTO OPET

Língua PortuguesaVícios de linguagemINSTITUTO OPET 2007

CM Curitiba

Questão de Língua Portuguesa

5 - Ao terminar a prova, entregue este caderno ao aplicador deixe prédio, 15 As questões 01 a 05 referem-se ao texto a seguir: Fita verde no cabelo (Nova velha estória) Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com um fita verde inventada no cabelo. Sua mãe mandara-a, com um cento e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita- Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas. Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que pó lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois, os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia: “vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou”. A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são. E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se de ver as avelãs no chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeiínhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa. Vinha sobejamente. Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu: - Quem é? - Sou eu... – e Fita-Verde descansou a voz. – Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou. Vai, a avó, difícil disse: “Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.” Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou. A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: “Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.” Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou: - Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes! - É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta – a avó murmurou. - Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados! - É porque não vou mais poder te beijar, minha neta... – a avó suspirou. - Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido? - É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha - a avó gemeu. Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou: - Vovozinha, eu tenho medo do Lobo! Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo. (João Guimarães Rosa, “Fita verde no cabelo, em Ave, palavra, Ed. José Olympio)

Os vocábulos “velhavam”, “encurtoso” , “inalcançar”, são exemplos de:

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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.