Questões de Língua Portuguesa · FUNTEF

Língua PortuguesaEscolas literárias brasileirasFUNTEF 2018

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Questão de Língua Portuguesa

Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento), Mia Couto. O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*: – É conta que se faz sem cabeça. Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*. – Faça as contas mestre. Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava: – A paixão é o mundo a dividir por zero. *grafia usada em Moçambique

QUESTÕES 05 E 06. Poesia matemática, Millôr Fernandes. Às folhas tantas Do livro matemático Um Quociente apaixonou-se Um dia Doidamente Por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável E viu-a, do Ápice à Base. Uma figura ímpar: Olhos romboides, boca trapezoide, Corpo ortogonal, seios esferoides. Fez da sua Uma vida Paralela à dela Até que se encontraram No infinito. “Quem és tu?” indagou ele Com ânsia radical. “Sou a soma do quadrado dos catetos. Mas pode chamar-me de Hipotenusa.” E de falarem descobriram que eram — O que, em aritmética, corresponde A almas irmãs — Primos entre si. E assim se amaram Ao quadrado da velocidade da luz Numa sexta potenciação Traçando Ao sabor do momento E da paixão Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.

Comparando o texto de Mia Couto, com o de Millôr Fernandes, pode-se afirmar que:

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