Língua PortuguesaAntítese, paradoxo e oxímoroVunesp 2012
FUNDUNESP
Questão de Língua Portuguesa
Moradores conscientes com o lixo dão novo status à profissão de coletor O coletor de lixo é o novo bombeiro. Ou, no mínimo, seu status está chegando lá. Se até outro dia esse trabalhador exercia uma das profissões mais estigmatizadas da cidade, agora ele vê sua imagem mudar no mesmo ritmo em que os paulistanos, mais preocupados com o ambiente, aprendem a separar o lixo e a se importar com seu destino. Na capital, os garis, como eles se referem uns aos outros — ou coletores, modo como eles preferem ser chamados —, são um contingente de 2.612 homens, que correm cerca de 20 km todos os dias para recolher as 10 mil toneladas de resíduos produzidos nos lares. O ritmo puxado do serviço é para os fortes. Luís Carlos Augusto, 53, está nessa rotina há 18 anos e diz adorar o que faz. Mas o esforço é tão grande que, quando os coletores estão prestes a encerrar as férias, é comum adotarem um preparo físico intenso. “Duas semanas antes, começo a correr no parque, por uma hora e meia. Se voltar direto, as pernas travam”, conta ele. Gentil Gomes Cardoso, 68, que começou no trabalho em 1971, pode dizer que acompanhou as mudanças da profissão. Ele é da época em que o lixo era colocado para fora de casa em latões, o gari tinha que carregá-lo até o caminhão e, depois, de volta para a calçada. “Hoje eu falo pro pessoal: Vocês querem mais o quê, com uma mordomia dessas? Trabalham hoje com luva nova, sapato novo, equipamento todo novinho. Antigamente, a luva rasgava e não tinha outra pra trocar.” Foi essa profissionalização do setor que contribuiu para combater o preconceito, diz o antropólogo e professor da Unesp, Paulo Santilli. “Tem o aspecto da conscientização, que se ampliou por causa da questão ambiental.” Para Santilli, todas essas mudanças levaram a que os coletores, antes vinculados a uma profissão tida como “humilhante e brutalizante”, sejam vistos hoje como “anônimos que cuidam das boas condições de vida”. A professora de ciências ambientais Angela Martins Baeder acredita que é a nova atenção ao lixo que leva à mudança na percepção da profissão. “O lixo era tudo que não prestava, que ia para longe. Agora, existe um reconhecimento de que o lixo pode ser considerado um material, um recurso importante. Isso traz uma alteração de valor, que também muda a percepção acerca de quem está carregando o lixo”, diz ela. Para Elmo Nicacio, 36, ex-coletor e atual diretor do Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo), o preconceito “diminuiu bastante”. Mas ainda há relatos “de coletor que entra no ônibus, antes de trabalhar, e a pessoa do lado muda de banco”. (Vanessa Correa, Revista sãopaulo, 23.09.2012. Adaptado)
No trecho do segundo parágrafo – ... são um contingente de 2.612 homens, que correm cerca de 20 km todos os dias para recolher as 10 mil toneladas de resíduos produzidos nos lares. – o termo destacado está corretamente substituído, sem alteração de sentido, por:
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Questão de prova oficial, com o gabarito definitivo publicado pela banca. Reproduzida para fins de estudo.

